Beleza simples
Contam que, quando deficientes auditivos (por operação ou por aparelhos) começam a escutar, um som que eles registram como sendo dos mais belos é o passar a página de um livro.
É simples, então. Precisamos apenas reaprender a escutar as folhas.
Escrito por Gustavo de Castro às 14h17
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Selvagem não negocia com medíocre
Selvagem, tem na fronte dois chifres que apontam suas certezas. Em tudo, o seu movimento é retilíneo, óbvio, pesado, gosta de ser poço miúdo cavado em terra de pedra. Só discute se for certezas e nem se deixa balançar em redes de mar.
Selvagem, deixou-se cativar pelas palavras. Acredita nelas. Até acha que são importantes. Para que serve uma palavra? Ainda mais palavra de blog? A vida, deus, certezas, toda a sordidez política (presente e passada) e até o amor, só nos são possíveis de suportar por que existe a Beleza. E no meio dela, loucura e sabedoria
Selvagem
Escrito por Gustavo de Castro às 19h17
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Quando a luta é combinada com o deixar-seguir
Aquela mania de falar apertando o peito; aquele jeito sereno, como se dentro nunca houvesse o abismo ou o mau. Aquele mesmo mantra cantado baixinho todas as vezes que a dor apertava e aquele baixar a cabeça contínuo, sempre, para todos e em tudo, hoje entendo que era sua forma de reverência, mas também de auto-apagamento. Auto-esquecimento. Era sua forma de combinar ação e fruição. Uma vez me disse:
Esquecer de mim é a forma que encontrei de me achar.
Escrito por Gustavo de Castro às 18h32
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Quando entra dezembro vislumbro a administração dos passos
Quando entra dezembro, deixo aberto os rincões do futuro; revejo as águas passadas; o que fiz; o que deixei de fazer; o que prometi e não cumpri; o que perdi e o que ganhei.
Quando entra dezembro, gosto de olhar para frente, não para trás. Para trás ficam onze meses; caminhos miúdos; as veredas sazonais que vão-e-vem-e-voltam-e-seguem iguais os galhos tortos das árvores daqui.
Para frente seguem as amizades, o estado de ânimo da liberdade livre, a intimidade com ventos de toda ordem.
Quando entra dezembro, gosto de contar quantas vezes chorei no ano. Não é que deseje drama. Deus-me-livre de querer isso para mim! Mas fico a pensar se ri mais... Se gargalhei mais... Se chorei... Sim, porque em tudo reconheço a minha natureza cachoeira.
Conto as lágrimas somente para saber o valor da minha alegria.
Quando entra dezembro, gosto de parar e analisar a velocidade dos meus passos. Vejo que eles zanzam... zanzam que zanzam por aí com seus galopes de pássaro. Há tanto tempo voam assim...
Conto os meus passos de pássaro somente para saber o valor da minha estrada.
Mas também a profundidade do meu vôo
Vindouro.
Escrito por Gustavo de Castro às 17h50
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