Frase que joguei no mato
O alface se liga à estrela. A onça à unha. O Fusca tem algo de meia Lua. Toda bolha implica paixão.
Escrito por Gustavo de Castro às 00h49
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O Sublime Endiabrado
Foram dois dias no lombo do cavalo-égua. Percorremos - os dez - os chapadões da Barra do Dia, no distrito de Rio do Sal, Goiás. Essa experiência de ficar dois dias no mato, vivendo as condiçoes e as caças do campo, a fogueira, a chuva torrencial embaixo das grandes árvores, o banho no rio, as necessidades no mato, fazia tempo que não experimentava. A última vez tinha sido na Bolívia, em 1999. Destes dias, gostaria apenas de falar da cachoeira da Lídia, como chamam por lá. Trata-se de uma cachoeira, uma não, duas. Duas cachoeiras, uma defronte a outra, sendo que uma tem 80 metros e a outra 15 ou 20 metros. Ambas caindo da garganta de pedras ainda mais altas que encerram o caminho do viajante. No fim das contas, fiquei sem saber quem era Lídia. Se a cachoeira maior, imponente, auspiciosa, ou a menor, forte, densa, larga e espessa. O lugar parece o oco do mundo: o Paraíso Perdido ou a Clareira por onde escorre o Sublime Endiabrado. Gostei de ter conhecido este fim de mundo. A certa altura, no fim do caminho, tivemos de largar os cavalos e ir a pé. Atravessamos - os dez - o caminho das onças, sem enconrar nenhuma, graças a deus. Dias antes elas haviam atacado dois potros. Já no fim do caminho, nos desfiladeiro mais altos, tivemos de atravessar 700 metros entre duas serras pontiagudas, apenas suspensos pelo cabo de aço de uma Tirolesa, por sobre a selva lá embaixo. Foi a sensação de reencontrar o Aberto. O Abismo sob nossos pés e nós ali - os dez - sentados numa cadeirinha de fibra, cruzando o abismo a 130 metros. Enquanto cruzávamos o abismo, abrimos os braços e imitamos os passarinhos do lugar. No sobrevoo, sentimos - os dez - que não valemos mesmo muita coisa. É. Mas no fim do caminho a gente aprende a voar. Sublime e Endiabrado.
Escrito por Gustavo de Castro às 23h52
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