ROSAS
Sob minhas cinzas foram plantadas sementes
e as rosas que nasceram
negras
deram espinhos sem ponta
cachos de amor-uva
sem ânsia de vinho.
E só nasceram pétalas de mal-me-quer.
CLAUSURA
Guardo rimas de convento.
Guardei a vida.
ILHA
O cinza magenta da Ilha sobre a montanha planalta cava e acalenta silêncios.
NUNCA VI ISSO
A lágrima da moça na rua era azul.
FILME
Assisti o Ilusionista no palco do ilusionismo: o shopping. Quando saí do cinema, vi um ser iluminado de lúmen. Nem tudo é ilusão num mundo em que tudo é ilusão.
ROSA MORENA
Cometo poesia contra os meus amores. Aos que amo, sempre entrego uma rosa morena.
CLASSIFICADOS 14.12.06
Perdi um caderno de poesia no Park Shopping. Quem encontrar favor
Ler.
NA RUA
O velho de brancos cabelos longos e barba larga me olhou no fundo dos olhos e, ao cruzarmos um pelo outro, na rua, me piscou um olho Azul.
Recebi o recado.
RODOVIÁRIA DE BRASÍLIA
Inferno de pés incertos.
Escrito por Gustavo de Castro às 10h36
[]
[envie esta mensagem]

ÍCARO
a cada passo no alto afundo um pasmo
e caio dois dedos de nada
depois um palmo
um palmo e meio
então espio o lado
me vejo despido de baixo
me meto em meio ao alto
me almo na alma
inteiro
vou caindo caindo no céu
até subir feito foguete
no inferno de mim mesmo
esse meio cheio de fadas
contos de nadas e pedras
livros e visos fantasmas
desço que desço até subir
no auto de dentro de mim
vou ao auto pelo alto
me escalando sozim
converto meus planos
em aéreos aeroplanos
e vôo que vou andando
sob soleiras nuvens
sob suados sóis
sob aguados mantos
de brancos lençóis
desço que desço até subir
no auto mais alto
além do além-de-mim
vislumbro do alto raios
relâmpagos trovões
respingos nevados
entre amplos clarões
Escrito por Gustavo de Castro às 09h49
[]
[envie esta mensagem]

SERTÃO
Nas longevidade das minha andança
carquei mil vezes a corcunda do véio
em busca do osso curvo de carne-e-peso
do Anjo corcunda.
Afrontei o bicho numa encruziada num cruzeiro do Pará.
Ar longe o mar ventava fortuna e vento frioso qui nem marasmo de nada.
Cá dentro os medo das sombração batia o bumbo do peito de medo-cagado.
Vige como foi difice.
Vice.
Tive sono toda tarde e pesadelo toda noite. Nem dormi naqueles dia.
Escutei o piá das rolinha puxando o sol. Foi quando minha tristeza armentô.
Vige – e armentô foi muito!
Rosinha, tan distante de mim. Eita que o eco do amô dói feito besta. É mula manca.
Todo dia quando serena o dia
e cai a luz do sol
entendo o que as coisa quer dizer.
Diz Tião que de noite tudo fica mais claro.
Clareia as dô.
Tião virou Anjo dispôs que morreu no encontro com o Anjo caído.
Tião caiu também querendo subir feito passarim batido no ar.
Tião matô muita muié de amô. Vige.
Rosinha
Sebatiana
Querência.
Julita.
Donana.
Fafá
A muda
A cega
E até a doida Tião carcô sua mão sé-vergonha.
Mas num é isso qui interessa qui.
Interessa qui Tião é poeta. Chei de bestagem cas palavra.
Um dia me deu um papé com uma poesia. Era Ícaro. Sei quem foi não sinhô.
Dize que vuô e caiu... Sescafedeu-se.
Escrito por Gustavo de Castro às 09h40
[]
[envie esta mensagem]

AZUL 2
Ajeito-me na cadeira Azul para acomodar meus sonhos de luz. Avessos de trevas.
VIDA
A vida é feita de pequenos clarões. Clarões que iluminam a proa nos dias inavegáveis. O levantar de mão da mãe; a chave que cai; o sonho acordado; a vida é feita de pequenos clarões. Todos eles caem.
REUNIÃO
Durante uma reunião ouço vozes que esperam. O silêncio é forte apenas dentro de mim, afora, no largo pátio do colégio que é o outro, os ruídos folgam as orelhas e apertam o coração.
PLEITO
Pleiteio gentilezas, doçuras e delicadezas para todos. Não apenas para os sensíveis e os transparentes. Quem dera o homem legislasse suas próprias emoções e belezas.
ELA! 2
Galgamos juntos fios de luz dentro do claro amarelo. O cavalo branco montado pelo sábio de cabelos luminosos é forte e puro. Tivemos à face autonomias que só o verbo foi capaz de criar. Calor, liberdade, delicadezas: tudo nos foi oferecido em dádiva. O céu também nos foi oferecido: tivemos o difícil como bracelete e uma tatuagem de faca cingida no corpo pelo velho com seu cajado. Somos agora anjos-irmãos cuja aurora temos em manto?
Para sermos profundos, o poema nos foi caminho.
DIA DIFÍCIL
Não atenda olhares tortos, amigo.
Em um dia difícil não atenda vozes bobas
caras feias
mãos apressadas.
Em um dia difícil, amigo
acorde de novo.
Escrito por Gustavo de Castro às 15h24
[]
[envie esta mensagem]

BRASÍLIA 2
A temporada das monções chegou sobre a Ilha fazendo as carroças seguirem devagar. A lama toma lugar da poeira e tudo fica cinza dias a fio. Chove sobre a cabeça senatorial de zé ninguém. Enquanto isso, na praia, ares e ventos quentes e mar clareando as águas. Às vezes a chuva e os passarinhos não dizem nada. E tudo fica como é. Deserto sobre montanhas.
OVO DE NATAL
Como é que os publicitários ainda não criaram o ovo de Natal? A Páscoa de Noel?
DIA TRISTE
Apesar do dia triste, um dia livre.
UNB
Caminho pela UnB sem encontrar ninguém. Apenas algumas árvores, duas andorinhas, um lago paranoado, um café, algumas solidões.
CANTO CALADO
hum hum hum hum...eia ei eis...ecce.
Escrito por Gustavo de Castro às 08h29
[]
[envie esta mensagem]

BRASÍLIA
Também tenho um Eixão dentro de mim.
Ele também tem asas abertas.
Escrito por Gustavo de Castro às 09h05
[]
[envie esta mensagem]

LETRA DE MÚSICA - CANTO À MULHER
Canta luar que Aurora já vem
vem nas ondas de Iemanjá.
Canta trsiteza que Graçca já vem
vem nos ares
de santa Beleza.
Canta alegria que Glória já vem
vem na face
de meu bem.
(Refrão)
O amor é uma caixa vazia
dentro da qual se busca Harmonia.
Escrito por Gustavo de Castro às 09h04
[]
[envie esta mensagem]

SAMA SAM
Tu compreendestes a noite em tua longa barba sã. Acalmastes as angustias com tuas palavras e abraçastes a dor do outro como se fosse a tua. Teus passos de coração nunca dizem "não!"
Escrito por Gustavo de Castro às 09h01
[]
[envie esta mensagem]

CORAÇÃO
No relato da semana encontro dividendos no amor, créditos nas crenças, calmas nos recantos. O meu corpo armou barracas de lona amarela em torno de um coração em chamas. O amor é que aquece na longa noite fria.
Escrito por Gustavo de Castro às 08h59
[]
[envie esta mensagem]

FERNANDO PESSOA:
"Tenho pela vida um interesse ávido que busca compreendê-la sentindo-a muito".
(F. P como Àlvaro de Campos)
Escrito por Gustavo de Castro às 08h57
[]
[envie esta mensagem]

CALOS
Minhas mãos têm calos
de tanto pensar.
Meus pés têm calos
de tanto descaminhar.
Meus olhos têm calos
de tanto sentir.
Escrito por Gustavo de Castro às 08h56
[]
[envie esta mensagem]

NA RUA
Conto contigo - dizem os olhos tristes do mendigo.
Escrito por Gustavo de Castro às 08h55
[]
[envie esta mensagem]

TEXTO ÍNTIMO
Caderno de exercícios poéticos sem a revisão da alma. Porquê se a alma revisar o escrito, nenhum eu será "atextado".
Escrito por Gustavo de Castro às 08h54
[]
[envie esta mensagem]

SEGUNDA-FEIRA
No ônibus vejo restos de rostos cansados. Alguém pergunta alto. Ninguém responde. "Hoje é sexta!", diz o cobrador enganado de si. Hoje é segunda, responde alguém ausente. Dia de se assegundar.
Escrito por Gustavo de Castro às 08h53
[]
[envie esta mensagem]

ORAÇÃO DO DIA
Domesticar os passos
até que o caminho
não pareça adestrado.
Mas livre.
Estar no cinza como quem está verde.
Escrito por Gustavo de Castro às 08h52
[]
[envie esta mensagem]

O AZUL
Duas vezes fui salvo pelo Azul. Na primeira, fui um afogado nos mares de Iemanjá. Por dois instantes morri bêbado de mar. Na segunda, tive minha cabeça mergulhada em Oxalá. E de tanto céu tornei-me parte de uma parte do Ar blue. Conheço quem foi salvo pelo Amarelo. Conheço quem fez do Amaranto sua cor-companheira. Conheço quem tem no Branco sua salvação e no Escarlate o lusco-fusco do olhar. Comigo, não. Quando fecho os olhos tudo fica negro de tanto Azul.
Escrito por Gustavo de Castro às 22h28
[]
[envie esta mensagem]

RÉU DO AMOR
O velho da Senzala, sábio e só, cantou: "o homem espiritual é réu do amor".
Escrito por Gustavo de Castro às 22h23
[]
[envie esta mensagem]

ELA!
O perfume sincero da campina penetra os cabelos da Flor. Os raios saídos dos fios de cabelos amarelos escovam meu coração e acendem no poeta laivos de esperança dourada. Um sentimento aberto. Multicor.
Escrito por Gustavo de Castro às 22h22
[]
[envie esta mensagem]

ANGÚSTIA
Dia mundial da angústia, a manhã de segunda-feira se faz acompanhar pela noite de domingo só para não se sentir sozinha em sua tormenta de vida difícil.
Escrito por Gustavo de Castro às 22h20
[]
[envie esta mensagem]

|