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SALVADOR

1.

Salvador continua a mesma sedutora e inebriante capital de sempre. Aqui, o Brasil abriu as pernas pela primeira vez.

2.

Em Salvador, até telefone público é preguiçoso.

3.

Passando na praça da Piedade: um sujeito dá uma palestra - pra ninguém - sobre cinema brasileiro. Todos passam pelo homem, ninguém pára. Não acredito no que vejo, então, começo a circular o dito cujo, dando voltas à sua volta. E como a palestra do cabra é boa! Noutro instante, mais adiante, dois sujeitos conversam alto em praça pública. Estão situados em margens opostas de uma praça gigantesca. E o povo passando, pra lá e pra cá. Ninguém pára, mas os dois berram como feirantes suas vidas esbugalhadas.

4.

CANTO

Salve ó Salvador, salve Orixá. Salve Oxalá. Céu, salve Mar.

5.

- pai, Salvador tem esse nome por que salva?

- Não filho, é porque Salvador sangra!

 

ANTONIO PORCHIA

Um coração verdadeiro não implora.

 

ASAS SEM ÁGUIA

Não importa a asa que casa no corpo dos pés. Importa a asa que casa na pele da alma.

 

PALAVRAS

Palavras me escapolem das mãos. O meu dizer não tem pra que querer. 



Escrito por Gustavo de Castro às 14h43
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MACEIÓ

1.

Maceió me atrai em mistério ao seu coração-de-mar que mais parece lagoa. Depois de 16 anos, venho às Alagoas em busca do convento onde morei interno sob a guarda dos frades capuchinhos. Mostro a Emanuel o claustro e o pátio do convento que eu varria toda terça e quinta com um vassourão de silêncios e tristezas. Naquele tempo eram muitas as folhas porque eram muitas as árvores. Agora os frades mandaram cortar as árvores e edificaram, no lugar, uma estátua de são Francisco de Assis. (Acho que o santo ainda ia preferir as árvores...) Explico a Emanuel que sai do convento mas o convento nunca saiu de mim. É como uma roupa vestida por dentro. Em mim, as folhas continuam secas a cair, e eu a varrê-las calado com minha piaçá de solidão.

2.

Emanuel me pergunta se a beira-mar nunca tem fim. Por mais que se caminhe, as ondas nunca sossegam na praia.

3.

Aquela que encima cataventos nos olhos e das lágrimas faz nascer lagoas, leva chuviscos de vento consigo. Quantos bosques de coqueiros secos existem dentro da mulher? Quantos vimes esvoaçam cabelos de fogo? Chama enxame, a mulher é salgada de tão doce.

 

NA PADARIA

- Na minha casa tem um coqueiro que dá manga verde.

 

ESCRIBA

Escrevo no escuro para enxergar melhor o meu pensamento.

E ele é obscuro.



Escrito por Gustavo de Castro às 13h26
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RECIFE

Tenho por Recife o amor dos pianos de fim de tarde.

Chego à cidade com Babylon no peito e as mãos repletas de notas musicais que caem. São cinco da manhã e  ninguém está na rua. Viajo com meu filho Emanuel, de 11 anos. Paramos numa pensão vagabunda para tentar dormir e descansar um pouco já que ambos passamos a noite anterior acordados. A dona da espelunca abre a porta de diz: "assim também é demais, o senhor vai querer comer este menino?". Explico que sou o pai dele, que não sou pedófilo e, depois de muita conversa, conseguimos um quarto. Quando entramos e Emanuel vê como é por dentro, com os quartos, os ambientes vermelho-arroxeados - retrô -, sua imaginação ganha ares coloridos de odores e venenos.

2.

Recife se tornou para mim muito cedo a cidade dos poetas. Quando criança, achava que só nascia poeta em Recife. Quando descobri que não era bem assim, que poeta nascia como capim no mato, senti um alívio e uma tristeza. Por via das dúvidas, tornei-me recifense de coração. E sempre que posso estou por lá. Sei que Recife é dado a conquistar corações de poetas. O Samarone Lima que o diga.

3.

Samarone diz que para ser recifense legítimo tem que torcer pelo Santa Cruz. Para mim significa também ser Veneza, mangue, alegria, cultura erudita-popular e Revolução. Vemos duas garças sobrevoar o Capibaribe e um pescador cantar da ponte: "ó peixinho, ó peixinho, o teu destino é o submundo...".

4.

Encontro em Recife sobretudo um irmão que Vida me deu. Samarone Lima, o velho, está sempre por ali, como uma árvore. Comemoramos num breve e cuidadoso encontro, doze anos da graça de uma amizade. Como voltamos muito cedo nosso olhar para Poesia, não precisamos de muitas palavras para dizer o essencial. Nossa conversa, quando não é calada, é cheia de risos e versos simples. Ele me faz inventar uma imagem: "De tanto lamber tua borboleta / ela ganhou vida e alçoo vôo das tuas costas". Depois diz que eu disse "que o poeta é sacerdote de sentimentos", e vamos rindo de tanta besteira que sua presença me faz inventar. Certa vez, em Buenos Aires, no ano de 1998, me deu de presente um título: Taos. Guardei por nove anos essa palavra e este ano publico um livro de poesia assim chamado: Taos - poesia e pensamento. Por ser assim generoso, sente a dor do mundo. É desses corações que aspiram melhorar. Literalmente, ele anota a vida. Seus murmúrios são da humanidade  porque a sua solidão é sempre compartida. Há tanta coisa que Vida deu a Samarone que nossas tristezas e alegrias ficam sempre mais tristes e alegres, a um só tempo. Sorte de quem tem esse homem por perto sem querer enclausurar sua flor. Porque as flores não foram feitas para as gaiolas.

5.

Uma prateileira de livros fala comigo e ela diz para eu virar e olhar a janela.

6.

Enchi meu alforje de versos e saí pelo Nordeste: Natal-Recife-Cabo-Maceió-Sabe-se-lá-onde-mais... Porque navegar é preciso. O viver é que é impreciso.

 

ARROXELAS

O roxo dos olhos de Tristezas cantou uma chuva fina, em arroxelas de dó maior.

 

NA PADARIA

- Estou com o alter ego arrombado!...

 

CORETO

Me algemaram num coreto de uma cidade praieira. E a banda, livre, passou toda noite com sua fanfarra de mar.

 

VELHA AMIGA

Rilke na parede do teu quarto nublou meus olhos de poesia.

 

NUVEM

Um dia acordei e vi uma nuvem em um formato. Noutro dia acordei e vi outra nuvem no mesmo formato da anterior. Notei que o formato era o que o meu coração queria. É que o meu coração tem sempre o mesmo formato. O do amor.



Escrito por Gustavo de Castro às 10h58
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