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RAZÃO-POESIA o pensamento poema www.casadasmusas.org.br
 


SÃO SEBASTIÃO

Há um "Q" de loucura geral no espírito do Rio. Suas águas estão assim assim meio calmas meio doidas. Espírito de Rio. Ainda mais em Janeiro quando são Sebastião faz aniversário. Daí, são dados muitos tiros - pra todo lado - em louvor ao seu aniversário.

Há um "Q" de loucura geral no espírito do Rio. Há um Q de são Sebastião que, de tão flechado, fudeu-se todo. Por inteiro. Viva são Sebastião do Rio de Janeiro!

Há um "Q" de espírito geral na loucura do Rio. Suas montanhas mágicas anunciam o fermento das vozes, o fomento dos cios. Salve ó Salvador, valha-me Maria Bethânia, que no Rio todo mundo está no cio!

 

Ó CRISTO

 

Subimos o Corcovado no covado de um trem. Havia sol muito sol havia. Emanuel esmaeceu minguado d'água, solado de sol. Mas curvou-se ao olhar pra cima e ver Cristo em pessoa. Achei o rosto de Cristo meio triste. Tinha um algo de quem já não credita + no homem.

Subimos o Corcovado no covado de um trem. Não havia ninguém nem nada nos foi cobrado (menos o bolso e a vida) para ver a alma cristã no alto de uma terra pagã. Ó Cristo Redentor, tu não és o meu Salvador! De braços abertos, dizes: "Venham e fodam-me todos vós!".

 

IEMANJÁ

Melhor mesmo é o mar. Ali mesmo encontramos descanço sob um guarda-sol bacana nas areias de copacabana. Eu dizia: Ó Nossa Senhora de Copacabana, escutai a nossa prece! E ela ouvia. E advinha um anjo vendedor de cervejas. E quando a cerveja acabava eu novamente levantava as mãos para o lado e dizia: Ó N. S. de Copacabana, escutai, teu povo tem sede! E advinha outro vendedor descendo redondo dos céus.

Melhor mesmo é o mar. Ali mesmo encontramos descanço sob um guarda-sol bacana nas areias de copacabana. O menino correu para os braços de Iemanjá e, de onda em onda, se esqueceu de voltar. Fiquei de longe praiano, espiando, bebendo-e-fumando o meu charuto baiano. O menino corria, nadava, pulava, se escaldava de tanto banho de mar. E quando o menino quis se ir, zarpar, não deixou de me sol-letrar: "Aqui, é o que há de melhor... a tal Iemanjá!!!". 

Melhor mesmo é o mar.



Escrito por Gustavo de Castro às 21h47
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PÃO DE AÇUCAR

Subimos até a pedra mais alta no cume do Pão de Açucar. Emanuel diz: "Como posso ter vivido 11 anos sem ter visto isso?" Acho graça. O menino parece um velho. A visão lá do alto é de puro encanto, o Rio de Janeiro parece está todo ali, belo. Há um banco de pedra onde nos sentamos, acendo um cigarro pagão e ficamos a sentir a tarde orvalhar. De repente, vimos uma nuvem gigantesca se aproximar e envolver todo o parque no seio da pedra alta. "Olha o nevoeiro, pai..." E ficamos no meio da nuvem a nos orvalhar...Peço ao menino para ele andar sozinho, apreciar o vento, o cinza-fumaça da nuvem, o verde-atmosfera, o ônfalos erguido em meio ao mar. Peço que esqueça os turistas e se concentre na natureza e no seu espetáculo. O nevoeiro não se dissipa e a tarde cai sob o manto de uma névoa calma. Sento para escrever, enquanto o menino-velho fecha os olhos e enche o seu corpo de nuvem e de sonho.

FOTOGRAFIA

Como não levamos máquina fotográfica, peço ao menino que registre com a alma o que sentir das impressões da luz.

 

OS OLHOS DO MENINO

A beleza do Rio de Janeiro encanta os olhos do menino. Ele vai descobrindo detalhes de uma cidade que conhece apenas da televisão. Na tarde anterior, na praia do Porto da Barra, ainda em Salvador, viu um famoso ator global e ficou com aquela cara de quem precisa ver duas vezes para acreditar. Lembro que, quando menino, vi Renato Aragão, o Didi, e fiquei todo bobo... Depois, mais tarde, em São Paulo, topei com Chico Buarque na rua, ao acaso, e fiquei mais bobo ainda. Isso acontece quando nos deparamos com belezas. Pelo menos, as belezas que reverenciamos. Os olhos do menino vêem um Rio de Janeiro que não passa na televisão, mas que lhe é familiar. Ele me diz da cor amarelo-manga dos táxis, que cansou de ver nas telenovelas; do Maracanã, palco dos sonhos de toda criança que gosta de futebol; do Corcovado, que lhe encanta imediatamente; do bondinho que sobe a pedra alta rumo à beleza da paisagem... Caminho com o menino por Copacabana e ele fala do Pan 2007, enquanto noto os turistas e as prostitutas, os bares lotados, a alegria de um carnaval que nunca acaba. O Rio de Janeiro faz a gente acreditar que a beleza, quando bela, e mesmo afrontada pela feiúra, nunca deixa de agradar ao espírito. Os olhos do menino ensinam que precisamos ter sempre olhos de menino, mesmo que se teime em não sê-lo mais... 

 

ANEL MÁGICO

Pus no teu mindinho um anel mágico de leveza e prontidão. Ele nos une no escuro porque é escuro, mas nos une também no claro porque nasceu do encontro de duas almas-doidas iluminadas de dor.

 

ELA

Sinto uma falta danada dela.

É um arfar de quem não precisa de nada além

do que aquela que é de cravo e canela. 



Escrito por Gustavo de Castro às 14h33
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TERRA DE TODOS OS SANTOS

1.

Há muita tristeza na alegria da Bahia.

2.

Laguna, baía de todos os prantos; laguna de nucleares negros, mouros d'antanho; laguna seca, ventre-dendê Orixá, laguna de pretos-velhos, restos de rostos que se encontram.

3.

Os frangos bateram asas e carcarejaram versões nos verões de san Salvador. E houve dentro do puleiro uma chuva de asas galinácias. E as línguas reclamaram porque o urso chamou o pavão de frango. Ninguém entendeu porque o urso agarrou o extintor.

4.

O FEIJÃO E O SONHO

Se soubesse, teria trazido Emanuel à Salvador mais cedo. Como esta cidade fez bem à cabeça dele! Os olhos das crianças funcionam diferente do dos adultos em muitos sonhos sonhados iguais. Acho que Salvador faz bem a todas as idades. Deve ser por isso que ela é a cidade de todos os santos. Emanuel ficou encantado ouvindo um poeta, Mário, no bar O Líder, recitar Pablo Neruda de cór, horas a fio. Mário recitou também seus próprios poemas e outros de outros poetas. Estávamos nós no boteco junto com Samarone, o velho; Paulo, o novo e Gabriela, a bela. Mário, na outra mesa, tomando sua cervejinha, viu que líamos alguns poemas do Samarone, quando decidiu se achegar. Chegou à mesa e ficou e recitou poemas e disse ao final: "bastou eu ler um poema para Lolita saber que o nosso amor não teria mais fim". Lolita, a mulher de Mário, decidiu casar-se então ele. Fali como poeta, disse, mas ganhei no amor... Pior teria sido, Mário, falir nos dois...

5.

A revista de cinema sobre a cama, o livro de Manoel de Barros por ali, um vestido branco desalinhado, um sorriso de porvir. Alma veste um vestido alvo e tem olhos muitos antigos. Lê Augusto do Anjos com fúria de outros eus e o compara ao rosto de poetas tranquilos. Floresce uma flor cor de menta no meio dos seios de Alma. Grandes e esbugalhados, os olhos dela não têm fim. Pelo menos, dentro de mim.

6.

Graça costuma descer a ladeira com seu enorme sorriso de praia. Cadeira, guarda-sol, jornal: Graça joga bola na areia da praia, toma caldo de Azul no verde do mar e, depois, uma cerveja para abrir o apetite. Graça sabe que o extraordinário está em todo lugar.

7.

Artine deita na cama e sorri duas cores de azul que desconheço. Um deles tem ânsia de vômito, outro tem ânsia indômita.

8.

PARA O EVANGELHO DA DESORDEM

É Deus do céu e Maria Bethânia na Terra.    

9.

Toco três vezes a terra do Ilê Opô Ofonjá, o segundo terreiro mais antigo do Brasil. Em suas capelas se iniciaram Caymmi, Caribé, Verger, Gil, Vinícius, e tantas belezas mais.

10.

E a Beleza sentenciou:

- Há quem sinta desespero de felicidade. 

 

ACONTECE, MEU AMIGO

Furacões acontecem em toda parte. Por que não aconteceriam também no teu coração?

 

ANTONIO PORCHIA

Ser é obrigar-se a ser.

 

NA PADARIA

 - O que tu tá fazendo aí?

 - Tô aqui, criando o mundo!

 

ESBOÇO PARA POEMA

Você, com seu juízo de gato

Você, com essa boca torta

Você, o escultor de borrascas

o bêbado das auroras

o decano do fracasso

o que canta desafinado

o que fala nas horas erradas

o que dizem que é viado

o que rouba e não devolve

Você, o idiota da família das amêndoas.

 

 



Escrito por Gustavo de Castro às 16h10
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