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RAZÃO-POESIA o pensamento poema www.casadasmusas.org.br
 


MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA

1.

Todo mundo diz que é mentira, mas certa vez desmaiei depois de ouvir a leitura de um poema. O poema era do Fernando Pessoa e quem leu foi o Samarone Lima, em Pirangi, uma praia deliciosa no sul do Rio Grande do Norte. Eu estava passando e dobrando minhas camisas, enquanto ele lia o dito poema. Não sei o que me foi dando, mas a pressão caiu, deu uma tontura geral e, tibuff!..., cai e apaguei. Tudo isso para dizer que às vezes somos nocauteados de Belezas. E como todos sabem, a Beleza dificulta o discernimento e alarga o coração. Digo isso porque voltei a passar mal recentemente, agora em São Paulo, no Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz. Para quem ama a poesia e a literatura, o lugar é uma catedral de emoções. São três andares dedicados à palavra. No primeiro, João Guimarães Rosa recebe uma homenagem sem par. Seus manuscritos, a letrinha miúda, seus "nonadas" em papel amarelado tiram o fôlego. No segundo, a história propriamente dita da língua, o percurso dela até chegar a ser como é... É impossível sair do lugar sem se deixar tomar pela Beleza.... No terceiro andar, ouvimos em salas escuras a voz de João Cabral, Drummond, Chico Buarque lendo Gregório de Matos, Maria Bethânia lendo Fernando Pessoa, José Miguel Wisnik, José Paulo Paes, Orides Fontela... brincamos de unir palavras e aprendemos com elas... Descobri, entre outras coisas, que Jacaré significa "o que olha de lado" e "sinuoso", descobri também que "Considerar" quer dizer "ficar com as estrelas" e, como costumo acreditar em contos-de-fadas, tenho pela pela palavra uma grande consideração, prefiro mesmo ficar com elas, com sua magia e seu brilho magno de pérola-estrela. 

2.

Se você tiver filhos, leve-os. Parece até que o Museu foi feito para eles. Emanuel rapidamente perguntou quem era esse João Guimarães, de tão interativo que é o Museu, coisa da curadora Bia Lessa. A tecnologia ajuda bastante nestes casos: literamente, você tem uma sensação táctil com as palavras. O menino não queria mais sair do lugar e, quando saiu, começou a ler os letreiros na rua de forma diferente. Parecia que tinha feito amor com uma porção de verbos. Seus olhos eram todos substantivos...

 

JOÃO GUIMARÃES ROSA:

"Forte é permanecer quieto".



Escrito por Gustavo de Castro às 19h42
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SÃO PAULO

1.

Comecei a treinar minha língua em São Paulo. Por isso tenho por ela o amor dos homens calados. Existe um deserto cinza no meio do labirinto triste. E nele ninguém arrisca palavra. Emanuel vê um homem chorando na rua. Quer entender, depois de alguns passos, porque as pessoas daqui têm a tez fechada. Uma cantiga árabe-nordestina faz destas bandas um opus triste em dó menor.

2.

Se queres aprender a calar, que o teu silêncio te seja convento. Se queres, mesmo, calar, reza ao espírito insano que volteia todas as vozes.

3.

Vivi quatro anos calado numa casa sem tv na companhia de um poeta. Em São Paulo, como o céu é fechado, as preces não chegam aos deuses. Eis o inferno de Dante! A estrada da ilusão que conduz ao giro da dor e da paixão. 

4.

mawaca uakti tom

ze, sal ma so, oh...

xan gô ô coco ô

ta va ca ti vê ro?

ca ti vê ro ca bô

5.

São Paulo, apóstolo da Ilusão. Saimos do Rio rumo à Serra do Mar numa madrugada de chuva num Itapemirim. Primeiro um taxi na Barata Ribeiro rumo à rodoviária Novo Rio. O taxista corre como um louco. Corta nove sinais vermelhos. Você não gosta do vermelho?, pergunto ao homem. "Moço, não gosto de ver nada fechado que quero abrir". Pois que ele venha à São Paulo abrir o céu. Na rodoviária do Rio, no setor de embarque, Eliane, a despachante,  há seis anos trabalha de madrugada vendo os ônibus chegando e partindo para São Paulo. "Mas nunca fui lá". Ela fuma e parece triste, sobretudo entristecida pela noite dos dias. O ônibus já vai partir. Na porta, outro despachante pede para que a gente preencha o tickts com o nosso nome e identidade. Escrevo então tudo errado. A mim dou o nome Florbela Espanca e ponho um número de identidade qualquer. A Emanuel dou o nome Pedro Avelino dos Ferros-Caicós e ponho um registro qualquer. O fiscal então pede os tickts e a nossa cédula de identidade para conferir. Faço então a cara de "me lasquei!" O fiscal olha, confere, e me diz: "boa viagem". Emanuel me olha e logo entende que o fiscal não fiscaliza porra nenhuma.

6.

Ao chegar na cidade gigante, me hospedo com Emanuel na casa de amigas, Érika e Val, no cruzamento da Major Diogo com a Santo Antônio, na Bela Vista, bem no centro. O prédio tem 17 andares e 12 apartamentos por andar. São 204 apartamentos e a estimativa é de que quase mil pessoas vivam neste prédio. De tão grande, a síndica abriu até um canal de tv fechado, o canal 8, onde exibe filmes e informativos de interesse. O mais interessante não é isso. Segundo Érika, a maioria dos moradores daqui é formada por prostitutas, travestis, michês, gays, garotas e garotos de programas, entre outros marginais do amor.

Sinto-me então em casa.

7.

A moda agora por aqui é yakisoba no meio da rua, e também jogo de búzios e cartas com videntes espalhados em todas as travessas, bem no meio da rua. O segredo ganha a praça pública.

Nunca o além esteve tão aquém...

8.

A grande cidade ensina a sofrer. Com seu ventre esburacado, a grande cidade padece de esofagite erosiva, úcera gástrica que atola todo mundo de fumaça cinza-chumbo.

A grande cidade chora, e todo mundo chama seu choro de garôa.

9.

São Paulo para mim é uma cidade romântica, apesar de tudo. Quando cheguei aqui tinha acertado na loteria federal e ganho uma bolsa de estudos do governo brasileiro para pesquisar a obra de Italo Calvino. Por quatro anos, não fiz nada além de escrever, poemar e viajar. Aqui, ganhei Robert Musil a 0,50 centavos; assisti Abujanra a 0,50 centavos e li Fernando Pessoa a 0,50 centavos. Em São Paulo a vida custa pouco, insignificantes centavos, nenhuma ilusão real.

 

ANTONIO PORCHIA

Às vezes penso em ganhar altura, mas nunca escalando homens.

FOTOGRAFIA

Centro de São Paulo, rua Benjamim Costant, 75, por volta do meio dia: um homem lava o rosto em um bueiro. 



Escrito por Gustavo de Castro às 13h34
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