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O EVANGELHO DA DESORDEM

parte XVII

ENTRE OS HOMENS

Caminho pela alameda da noite

com a bicicleta azul das multidões

que andam de ônibus

que seguem a pé

que compram pão

a cada estação.

Contabilizo tristezas e olhos azuis,

banho-me com a lavanda dos alecrins

e dos vulcões.

Sirenes de socorro e peste

por toda a parte,

gente cabrunhada

de tanto sepisar.

Imperativo categórico universal:

  - Fodam-se todos!!! 



Escrito por Gustavo de Castro às 09h50
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O EVANGELHO DA DESORDEM

parte XVI

BRASIL

 

É bom viver no país dos esquecidos.

Assim podemos esquecer o ser

de vez em quando.

 

É bom viver no país dos ladrões.

Assim podemos roubar o ser

de vez em quando.

 

É bom viver no país da putaria.

Assim podemos comer o ser

de vez em quando.

 

É bom viver no país do carnaval.

Assim podemos remexer o ser

de vez em quando.

 

É bom viver no país dos sertões.

Assim podemos ser tão grande - ser

de vez em quando.

 
(Como disse, certa vez, o Uruguai a alguém:
"O Brasil não cabe na cabeça de ninguém").
 
 
 
CANTO NIETZSCHIANO
 
E aquele, entre os homens, que não quer voltar ao pó,
é preciso antes que comece a cantar em qualquer canto
um canto de dor.

E aquele, entre os homens, que não quer gestar intrigas,
é preciso antes que aprenda a calar em todas as línguas.

E aquele, entre os homens, que não quer morrer de solidão,
é preciso antes que comece a beijar todas as bocas.

E aquele, entre os homens, que não quer morrer sem verdade,
é preciso antes que aprenda a acreditar em todas elas.

E aquele, entre os homens, que não quer morrer de tédio,
é preciso antes que aprenda a ser todos de todas as maneiras.

E aquele, entre os homens, que quer permanecer íntegro,
é preciso antes que saiba silenciar todas as falas.

E aquele, entre os homens, que quer permanecer sensível,
é preciso antes que saiba sentir tudo de todas as maneiras.

E aquele, entre os homens, que quer permanecer são,
é preciso antes que saiba ter todas as loucuras.


Escrito por Gustavo de Castro às 19h49
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O EVANGELHO DA DESORDEM

parte XV

BRIGA DOS ANJOS - DISCUSSÃO COM AUGUSTO

É tu um Carcajú
nojento, sem lado,
Carcajú safado,
do cão,
desgraça do desgraçado
Carcajú,
filho do não!!

Que percas o caminho!
E mesmo perdido
desgovernado
todo fodido
seja vício
o teu ninho!

Carcajú safado!
Sangue menstruado.
Íntimo podre,
desamado.



Escrito por Gustavo de Castro às 12h44
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O EVANGELHO DA DESORDEM

parte XIV

 

TRÊS LEMBRANÇAS DO INFERNO

 

1.

 

Pedro havia feito um pacto com o Diabo numa encruzilhada no sul do Piauí. Em companhia de quatro amigos, assaltaram uma agência do Banco do Brasil, em 1990, numa cidade do norte do Rio Grande do Norte. Pedro e seus amigos haviam marcado um encontro com o Coisa-Ruim, numa sexta-feira 13, e pedido ao Besta-Fera que os tornasse ricos. O Diabo tinha aceito o pacto e disse-lhes que, diante de qualquer problema, eles pronunciassem um determinada palavra. Uma palavra mágica, capaz de fazer com que eles desaparecessem no ar. Como por encanto. 

 

E lá foram os quatro rapazes assaltar o banco. Logo nos primeiros minutos, os bandidos foram cercados pela polícia. Acuados, lembraram do que havia dito o Diabo. Pronunciaram a tal palavra mágica, mas nada aconteceu... 

 

Foi então que o rito de matança começou. Cada um dos rapazes levantava-se e disparava um  tiro contra a própria cabeça. Menos Pedro, que não teve coragem de disparar. Entrevistei-o naquele ano numa penitênciária, em Natal, curiosamente chamada Caldeirão do Diabo. Em vez de se matar, Pedro entregou-se, jogou a arma ao chão. Para a imprensa disse que o Diabo era um sujeito envolvente, muito educado, charmoso, gentil. De certa forma, cativante e audaz. Disse que gostava de passar algumas horas em sua companhia, naquelas encruzilhadas quentes do Piauí...

 

Quando o entrevistei, confessou-me uma coisa que jamais esqueci: havia descoberto com ele, o Diabo, infelizmente, que as palavras nem sempre são mágicas.

 

2.

 

José trabalhava de vigilante e era muito pobre. Às vezes ia trabalhar sem um prato de comida. Tinha que deixar tudo para a mulher e os seis filhos. No trabalho, uma repartição pública, dormia pela madrugada, não sem antes rezar e pedir a Deus para que lhe fizesse sonhar com comida. Diz José que sonhava e que acordava sem fome, e que aquilo era um milagre.  Devia ser.  Conta que certa vez sonhou com tanta comida - um tal banquete - que, ao acordar, teve desinteria de nada. Caganeira de vento...

 

3.

 

Rafael era um menino de rua. Cresceu sob o cinza-prata frio de São Paulo, fumando crack nas latas de refrigerante. Meio arisco como um rato pelas vias de Santa Cecília, travei amizade com ele porque éramos quase vizinhos. Da minha janela, enquanto estudava, avistava-o fumando crack ou cheirando cola. Certa vez, passei por ele e disse-lhe com ar preocupado: “Garoto, você vai morrer fumando esse troço!”, e ele, também compenetrado, respondeu com a verdade nos olhos: ´´Tio, o que você acha que eu quero?”.

 



Escrito por Gustavo de Castro às 00h32
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