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RAZÃO-POESIA o pensamento poema www.casadasmusas.org.br
 


ADENSAMENTO

1.

Caminho por Natal como quem faz um reencontro sentimental. Nasci aqui, vivi aqui até os 21, depois voltei sucessivas vezes, para seguir em definitivo noutras estradas. Na rua, uma mulher me pergunta: de onde você é? Respondo: - sou daqui, de Natal, moro em Brasília, mas sou daqui! E ela retruca, fulminante: - então você mudou a sua cabeça! Fico pensando no que significa isso. Essa questão me inquieta e levo comigo o resto do dia, pela cidade. Que diabos significa mudar a cabeça? Que diabos faz o povo deste lugar ser conhecido (maldosamente, é verdade) como "gente besta", "estranha", "abertos somente para os forasteiros". E olhe lá, porque uma forasteira, amiga recente, me reclamou de forma veemente: "o que tem o povo daqui? Há muita cabeça fechada", disse.

2.

Ontem fui com Emanuel para o show do Racionais MC's, na Ribeira, e ficamos a olhar os gêneros todos. Muita polícia, muitas garrafas quebradas. Muito desentendimento. Mas isso é em todo lugar, em todas as cidades, em todos os povos. Para mim, o Racionais já perdeu sua aura mítica, mas ainda há graça, algo simbólico. Para Emanuel, a aura mítica ainda não passou. Seus olhos uivavam. Ele sabia algumas letras e entendia a linguagem comportamental dos "mano".  A cultura é mesmo como um camaleão: se mescla e se adensa por aí, nas cabeças, na mídia, nas ruas. Vamos ver no que isso tudo vai dar. O camaleão é um animal pré-histórico.    

3.

Brasília vista daqui é uma piada, numa charge burlesca.

4.

Cada vez que venho aqui, surpreendendo-me com uma coisa: êta povo pra gostar de política! Aqui a política é vivida igual ao futebol. Mas acho que todos estamos perdendo um pouco, ou muito. Na política e no futebol. Na política aqui se fala agora do adensamento populacional da Zona Norte. É a política do compactar gente como sardinha. No futebol, o time local, o América, está adensando derrotas na tabela. Seguindo rubro à segunda divisão.  

5.

Ontem estava num boteco na Cidade Alta, no centro, quando alguns velhos começaram a discordar entre si. Eles discutiam quais das épocas nacionais tinha sido a pior. Um disse: a pior? os tempos de hoje. Esses políticos daí. Outro disse: - Não, a pior para mim foi era Collor e Sarney. Alguém interveio em seguida: - Pior foi mesmo a ditadura, ali sim foi ruim mesmo!!! Um quarto se apresentou: - Vocês estão esquecendo a era Getúlio, que foi desastrosa. Horrível. Outro falou: - Ninguém pode saber realmente uma coisa dessas.

Um velho, parado e só, no fundo do salão do boteco, que não havia se pronunciado ainda, disse:

 - Acho que, no fundo, tudo foi sempre ruim. Todas as eras foram más e nada nunca prestou em canto algum de era nenhuma!

Fez um silêncio homérico no lugar. Aos poucos, as pessoas foram se retirando e pegando a calçada. 

Quando saí, não tive como segurar o riso. Ruminei sobre este niilismo solar, marítimo, oceânico que se adensa nos espíritos deste lugar. Voltei a pensar o que significava esse negócio de "abrir a cabeça". 

Uma vez um alemão me disse: - Um povo que tem um mar deste tamanho por defronte, e não se torna navegador, como é possível entender?   



Escrito por Gustavo de Castro às 09h08
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REVER AMORES

Chego em Natal vestido de madrugada. Sinto a cidade calada: muda de tantas dunas. Cidade estreitada entre o mar, o rio e o sertão: cidade estranha. Pela manhã, vou ao mar verde água pedir entrada. Depois sigo para a casa velha, no velho bairro de gentes velhas. Revejo a mãe octagenária, Elza, fazendo o seu tricô: ela me mostra os seus fios. Pergunta se conheço fulana, beltrana, ciclana, digo que não, e ela então me avisa que fulana beltrana ciclana morreram. Cada que vez que volto a Natal é assim: minha mãe dá a notícia dos que se foram nesta levada. Uma lufada de vento leva um monte de velhos, amigos dela, a cada semestre. Todas as vezes que venho por cá, Elza me diz a frase definitiva: "Talvez, Gustavo, esta seja a última vez que nos vemos!". É sempre assim há quase oito anos, desde que ela completou 74. Mas haverá, claro, uma última vez. Enquanto ela não vem, a vez, vou reencontrando-a em sua lucidez de velha feliz. Disse que anda sonhando muito com os mortos. Todos na casa já sabem... Quando dona Elza, minha mãe, sonha com os mortos, costuma dar gargalhadas altas pela madrugada. Do seu quarto, ouvimos pela noite a conversa e os risos dela com os mortos, e todos, sinceramente, parecem estar muito bem, obrigado!

 

REVER AMORES 2

No sorriso do meu filho tem um Sertão de saudade.



Escrito por Gustavo de Castro às 23h32
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OLÉLIA

O Tempo abriu sua boca

e o mar das horas cheias

desaguou

em todas as suas ocasiões.

Veio dizer que as ligas do Tempo

eram musicais

necessárias

como o amanhecer das vigílias. 

Veio dizer que aos seus pés irem embora

voará um beija-flor azul canhoto.

 

FELICIA

Vem que meu ventre é todo fecundo!

 

Vem que meu mundo é areia movediça!

 

Vem ver o que escondo entre treliças

lerdas pernas içadas

em amor vagabundo!



Escrito por Gustavo de Castro às 13h34
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MÚSICA PARA O PENSAMENTO

Ajudei a criar e agora colaboro com a Revista da Universidade Católica de Brasília, a Comunicologia. Andei escrevendo sobre Imaginação e Italo Calvino. No entanto, tem outros ensaios lá bem mais interessantes. Recomendo a seção de pintura, a "Galeria Interior", com a presença de artistas plásticos-pensadores.

http://www.comunicacao.ucb.br/sites/000/28/00000205.html



Escrito por Gustavo de Castro às 14h24
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OSSAMENTOS

Ela tenta, todos os dias tenta, e vai tentando vida afora

sorrir para o Sol.

O desejo é que todos os seus ossos sejam sóis.

Um esqueleto de luz.

Vagina de Lua cheia.

 

 

ESPANHOLA

Fui vê-la sapatear como pediu.

Segurando a saia, olhou-me nos olhos

desenhados de negro. Sorriu, ergueu queixo,

se esvaiu nos escolhos e, por todos os eixos,

me explodiu.



Escrito por Gustavo de Castro às 12h00
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