OS TRANSPARENTES
Florence Dravet está lançando o seu primeiro livro de poesias: Os Transparentes. Ele sai pela Casa das Musas com lançamento na Livraria Cultura do Casa Park, nesta terça, 2, às 19h30. Cada poema do livro vem acompanhado dos desenhos da artista plástica Ana Beatriz Barroso, em um belo e inusitado diálogo entre palavra e imagem.
Engraçado é ver como nascem os livros; como nascem as idéias e como os projetos crescem, quase que sozinhos, ganhando a imensidão das palavras e das imagens. Vi nascer este livro porque acompanho a poesia da Flor há muito. Um dia, no meio da escritura, ela foi ao Templo e lá, meditando, adormeceu... Viu então a imagem de um cavalo, o cavalo da lua, com um chifre no centro da testa e asas brancas, cavalgando o plenilúnio. O cavalo voltou-se para ela e disse o seu nome: Lunicórnio!
Este é apenas um exemplo de como o livro foi sendo feito: permeado de pequenos encantamentos, alquimias, sortilégios, vozes, visões e, sobretudo, silêncios, como não poderia deixar de ser.
Vou voltar a falar deste livro nas próximas mensagens, publicando alguns de seus versos, agora queria apenas ressaltar outra coisa, o que para mim desponta como o grande significado de escrever poesia hoje. Florence insiste (com esta obra) que devemos voltar a ouvir as Musas, abrir novamente a percepção para o que fala o invisível, o indizível e o inaudível. A poesia se tornou algo matemático demais. Não que ela não seja matemática e pintura. Não é isso. Mas que ela possa praticar hic et nunc o que foi um dia: o canto sensível e forte, destemido, do mistério, da iluminação e das entranhas. Beleza e razão, apenas.
Juarroz diz que a Poesia é a religião original do homem. O canto de Os Transparentes, de Florence Dravet, comprova isto.
Escrito por Gustavo de Castro às 16h05
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UMA FOGUEIRA PARA A LUA
Aconteceu que a lua cheia encontrou a tristeza dependurada no pescoço da humanidade. Era uma gargantilha de ossos encimada por uma cruz-pingente de cristal não trabalhado. Alguém fez uma fogueira vermelha para a lua, festejou a sua lágrima e renunciou a dizer o nome que governa os seus lamentos. Hoje em dia é assim, temos de justificar tudo, até nossa tristeza, como se fosse uma ofensa ser livremente o que se é, sem a faixa púrpura de adornos das alegrias inventadas. "Melhor uma alegria inventada do que uma tristeza verdadeira", diz o vigilante na campana da emoção.
Uma lágrima sincera diante da fogueira água salgada e fogo forjando nosso coração.
Escrito por Gustavo de Castro às 12h48
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OLHAR AS COISAS É BEIJÁ-LAS
Quando os olhos ficam mudos, a gente não precisa de nenhum dizer.
Precisa apenas reinventar perfume para os olhos
pela química de aprumar com pedra pômo
os calcanhares de cristal
do amor.
Todo homem sabe:
Cada olhar beija o seu próprio bréu.
Escrito por Gustavo de Castro às 14h30
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