MEIO TORTO
Dediquei algumas longas semanas a observar os tortos. Tomei um caderninho, uma caneta Bic, uma mochila e saí pela rua a procurá-los.
Desde criança, os mancos chamam especialmente minha atenção. O impacto dos corcundas fez outro efeito na imaginação. Garrincha mancava como ninguém é verdade. Alguns mendigos, por sua vez, não são mendigos sem claudicar. Alguns passos a la Jânio, acredito, todo mundo tem. Especialmente quem lida com arte. Lembro de um palhaço manco que conheci certa vez. O seu desajeitamento fazia todo mundo rir no picadeiro, mas aquilo era, ao extremo, triste. Decidi escrever isto hoje (passar os apontamentos dos mancos do papel para o blog) porque vi uma velha mãe mancando na Rodoviária de Brasília, com seu filho.
Tem uma história sobre gente manca que gostaria de contar.
Dizem que Jacó, certa vez, atravessando o deserto encontrou um homem com quem lutou por toda a noite. Esse homem era um anjo disfarçado de salteador, mas Jacó não sabia. Eles lutaram fisicamente até Jacó se cansar, abatido pela surra. Quando o homem (anjo) fez menção de ir embora, Jacó pediu para que ele retornasse e terminasse de vez o serviço: matando-o! O homem então revelou-se:
Jacó tinha lutado com uma divindade!
Desde então, Jacó decidiu mudar seu nome para Israel.
Dessa luta, guarda uma marca física na perna. Um andar diferente.
Nunca mais ele deixou de mancar.
Escrito por Gustavo de Castro às 13h54
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ASCESE
Falar pouco, comer pouco, chorar pouco, ler pouco
Mas Amar a mais
Amor de muito.
NIETZSCHE
"A vida não merece os fracos".
MUNDO ESCRITO E MUNDO NÃO-ESCRITO
Admiro mais quem contempla do que quem lê.
Admiro mais quem abraça a solidão do que quem abraça um mal amor.
Escrito por Gustavo de Castro às 22h36
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