O VERMELHO
chega sem tempo nem espera
o vermelho chega
destemperado de esperança
vem vacinado de amarelos iludidos de azuis
traz dores violetas
marrons amarantos
cinzelados de marfins
que encobrem de cor incerta
o nada
e o nada cheio de vermelho
vira nata goiaba em caldas
saboroso espelho
cereja
uvavinho
vida vacinada de tristeza
Escrito por Gustavo de Castro às 16h44
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FILOSOFEMA
1. As aulas e o final do semestre não deixam a poesia falar. Trabalhar muito e ganhar pouco não é algo inteligente, acho eu. Um velho me falou certa vez que a arte de descansar é para poucos. O que anima a vida é que, de vez em quando, um aluno traz sua gaita para a faculdade e fica arranhando os seus lamentos por cá. Rumorejando agudos.
2. Ao apresentar a RazãoPoesia, hoje, aqui na UnB, vi uma platéia ficar mordida com a possibilidade de fazer dos poetas, os pensadores primordias. "Os pensadores devem vir da ciência e da filosofia" , retrucou um, "Que garantias eu tenho da verdade do poeta?", apunhalou outro. E assim por diante. "Mas que garantias eu tenho da verdade do filósofo?" - Perguntei de volta. E por que olhar os poetas como pensadores-do-fecundo não pode ser um método de pesquisa? E falei de Rilke, Hörlderlin e Fernando Pessoa...
3. FILOSOFEMA
o místico espreita o grego com fabular
e o sonho é tão alto
mais que o último galho
tão alto
que faz o grego
pulular
Escrito por Gustavo de Castro às 15h39
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