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ALGUNS RELATOS DE VIAGEM

1.

Meu amigo Samarone Lima está indo para Cuba. Duas combinações poéticas, românticas e líricas: duas belas ilhas irão se encontrar!

2.

Também pego a estrada. Estou agora nos mares de sol de Natal, a terra onde nasci. Escrevo do quarto de Emanuel, meu filho, que dia 21 fará 12 anos.  Quando cheguei ele dormia, mas dizem que me esperou noite adentro, até quando pôde. O bicho está grande, alto, tranquilo como sempre. Sua característica marcante é o bom humor. Manel, como todos os chamamos, foi agora andar de bicicleta. Aproveito para escrever. O avião estava previsto para chegar em Natal às 10 da noite de ontem, 18, mas só veio chegar às 7 da manhã de hoje, 19. Levei 12 horas de BSB até aqui, contando 4 horas de atraso no Aeroporto JK e mais 4 horas no aeroporto de Recife. Aproveitei para escrever e olhar as pessoas. Adoro ver gente em trânsito, "Carne em trânsito", como dizia Daniel "El Ratón", um velho amigo argentino.

Estranho vê como as pessoas se desesperam quando não conseguem cumprir seus compromissos. Com toda razão. Se querem um conselho: não viagem pela Ocean Air. Literalmente, a pobre companhia está mais perdida no ar do que pirilampo em noite de foguetões.

3.

Viajei com alegria no peito pois sabia que ia encontrar Manel, o velho. Meu filho vive hoje no mesmo quarto que foi meu um dia, na velha casa do velho bairro, na parte velha da cidade. Estive neste quarto por toda a adolescência: tenho boas recordações deste pedaço de vazio. Aqui, lembro, li muito: Dostoievsk, Fernando Pessoa, Lispector, muito romance vagabundo e muita filosofia oriental. Li tudo o que achei sobre o cangaço e iniciei minhas primeiras lições em teologia e mística com Mestre Eckhart e Martin Buber. As recordações dos quartos em que vivemos são interessantíssimas. Saberia dizer bem o que passei em cada quarto que vivi. Deste quarto, por exemplo, guardo sobretudo as longas noites de solidão e leitura. Mas lembro de ter passado aqui também, certa vez, uma noite inteira acordado, apenas olhando a madrugada passar. Esperei calado pela aurora, sentado em uma cadeira de vime, sem ler, nem beber ou fumar. Vendo hoje assim, que adolescente  estranho viveu alguns anos em mim, aqui dentro deste quarto.

4.

Sim, viajei com alegria no peito por que encontraria também minha velha mãe, aos oitenta e tantos anos. Desisti de contar quantos anos ela tem. Acho que ela desistiu de contar também. Tem muita vida no lombo. Quando eu nasci, ela já tinha 44 anos. Ela veio me receber na porta, sem bengala. Desta vez, olhando-a, descobri uma coisa: a gente envelhece, mas os olhos não.



Escrito por Gustavo de Castro às 15h50
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FLORENCE DRAVET - POETA BRASILEIRA

INDIARIA

 

Nome de Iara é dado pela vida. É poesia.

 

Ela andava por campos amarelos e o pólen desenhava meias em suas pernas.

Todos acharam belo esse encontro do inverno com o verão nas pernas da mulher-água. E a batizaram: Iara-meias-de-pólen.

 

A moça, quando chegavam os primeiros ventos do Norte, parava de falar. Abriram-lhe a boca para ver se sua língua estava congelada, mas quando sentiram seu sopro quente, deixaram-na quieta. Esperaram. Com o primeiro degelo, ela se pôs a cantar as maravilhas do silêncio. E ela quis que fosse sempre assim. Respeitaram seu desejo e a batizaram: Iara-que-cala-no-inverno.

 

Aquela vivia de secar peixes à beira do rio. Às vezes, ela secava libélulas e grilos que o vento jogava na água. Um dia, ela colocou duas borboletas para secar, uma em cada coxa e deitou-se ao sol. Com a última brisa da tarde, ela despertou. As borboletas se tinham ido. Em suas coxas, deixaram de presente o desenho de suas asas. E ela correu para mostrar aos outros. E eles a batizaram: Iara-que-tem-borboleta-nas-coxas.



Escrito por Gustavo de Castro às 19h06
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