AS CONDICOES DA ARTE
Escrevo em um computador que naum me deixa usar todas as configuracoes da lingua portuguesa. Naum pergunto para a dona porque me apraz um pouco escrever assim. Naum sei onde estao os acentos, as cedilhas, o til, o circunflexo, o agudo, perdidos que estaum no teclado, jah que naum aparecem onde deveriaum.
Questiono-me agora se eh melhor escrever "nao" ou "naum" e logo noto que achei as aspas.
Hoje mesmo vim escrever sem vontade de escrever, quase que trazido mecanico inerte a tela.
Vejo que o titulo que pus, as condicoes da arte, eh mais pretensioso do que eu, naum/nao faco ideia de quais sejam as condicoes da arte, mas imagino que naum/nao sejam muito boas na atualidade.
Acho que estava certo aquele Preto-Velho quando falou que a arte morre a cada 500 anos. Neste momento, a arte estah morta. Deve ter morrido com Picasso. No seculo XVI, renasceu na Renascenca, morreu com Van Gogh ou Picasso. Agora vivemos a obscuridade das luzes. Uma outra idade media.
Mas porque estou falando disso? Estou de ferias, em Salvador, que diabos tenho eu com as condicoes da arte? Deve ser por que escrevendo assim, gramaticalmente errado, fico a pensar se precisamos tanto assim dos agudos, dos circunflexos, das cecedilhas, das crazes, etc. Talvez, sim. Naum/nao consigo pensar o idioma mandarim sem todas aquelas frescurinhas maravilhosas.
Se as condicoes da arte estao ou naum/nao estaum boas, sei lah eu, sei eh que as minhas - neste PC - pelo menos me divertem.
Paz e Bem a todos.
Escrito por Gustavo de Castro às 11h47
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OS JANEIROS EM SALVADOR
Pelo segundo ano, venho janeirar em Salvador. Abro com Manel e amigos do cinema o ano com acenos de delicadeza. Coisa boa na vida eh poder ter amigos que gostam do mar e do sertao: luz camera coracao
Manel quer ver Ivete Sangalo, contenta-se com Daniela Mercury, na praia do Farol. Fica em meio a uma multidao desgovernante. Pede pra sair, depois. Mercury chama ao palco Carlinhos Brown, que se mostra o mesmo de sempre: desafinado esculhambante. Uma crianca. Ficamos zanzando no meio do povo, olhando o sucateamento humano.
Manel pede pra ir embora.
No dia seguinte, voltamos a praia do Farol para aclamar o por do Sol. A praia do Farol, todos no Brasil jah devem saber, eh um territorio livre, guarnecido e adornado pelo Forte Sao Diogo. Ao por do Sol, reunem-se nesta pequena faixa de mar, toda a fauna e a flora da Bahia e do mundo, tenham certeza. Acho que todas as especies animais, vegetais e minerais de Salvador trafegam por cah. Manel reconhece a praia onde esteve ano passado. Lembra de imediato: foi aqui que viu o Luis Fernando Guimaraes, o global, e pediu que eu pagase o mico de bater uma foto com o infeliz. Pois bem, coisas de pai querendo agradar o filho. Lah fui bater a tal foto, quando o distinto ator global soltou um " que saco!!!"
Entendo o rapaz: que saco eu aqui na praia e lah vem este idiota pedir uma foto para o filho.
Manel tambem ficou chateado com a situacao. Foi bom pra ele entender como funcionam os grandes falsos da televisao brasileira: aproveitei e falei de Luciano Huck, Carla Perez, Xuxa, Jo Soares, entre outros. A vida nao eh facil pra ninguem.
Na praia do Farol,quando o Sol se deita no ceu, dizem, todos levantam da areia e aplaudem. Nao vi esta cena lah, mas gostaria de filma-la um dia. A fauna e a flora de Salvador aplaudindo, de peh, a Luz maior deitar.
Escrito por Gustavo de Castro às 21h38
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LEVEZA E POESIA PARA TODOS EM 2008
Aos poucos que me acompanham na jornada da Poesia, desejo algumas coisas em 2008.
Primeiro espero que vcs consigam ficar um pouco diante do sol e ali fechar os olhos. Leveza e claridade quente para todos. Simplicidade de passarinho não faz mal a ninguém. "Põe tudo o que és/ em tudo o que fazes", já recomendou Ricardo Reis.
Todos os anos, eu iniciava o primeiro dia de janeiro com uma frase de Roberto Juarroz, que agora compartilho com vcs: "A única coisa que devo fazer / é aquilo que sinto que devo fazer". Depois desta frase, lembrava de outras fundamentais, dos mestre-escritores que acompanham a humanidade em sua penosa jornada.
Meu último poema do ano é este, uma exortação percebo agora, mas também um cartão de visitas:
abra os braços e abrace o incerto/ que teus olhos levem flores / tua fronte destemida / vulcões / teu peito amores
Em 2008, a leveza dos leves nos leve
Escrito por Gustavo de Castro às 01h31
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