SOBRE RELÂMPAGOS
"A noite era antiga, quando o fogo a entreabriu" - Rene Char.
Contam que o poeta Rene Char costumava ficar horas na janela de sua casa, à noite, observando os relâmpagos e os temporais. Sua paixão por raios era conhecida a ponto de seu amigo, Paul Veyne, telefonar de sua casa, no exato momento em que os relâmpagos golpeavam a cidade.
Char pensava que assim era a poesia: relâmpago que cai às vezes na noite de nossas vidas.
Achava estranho o fato de um relâmpago parecer cair imediatamente nos rastros do precedente. Tinha paixão por eles: assim era o pensamento humano: um relâmpago. Talvez não por acaso, numa dessas noites, enquanto observava os raios, foi vítima de um acidente artefial no ouvido interno.
Sobre ele, escreveu Veyne, o amigo:
Morrer em estado de noite foi o desejo de mais de um místico e dizem que Joana D´arc teve esse favor. Não foi a única lição daquela noite magnética: “O raio e o sangue, eu soube, são um", disse Char, o cosmo tem por energia a verdade mais verdadeira.
Escrito por Gustavo de Castro às 13h18
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