SORVENDO A ALEGRIA
Para não sair da infância - o tema que me dei a lamber entre semanas - ouvi hoje, no refeitório da UnB (o famoso bandeijão), algumas gargalhadas. Fico impressionado como os jovens riem. Até penso que rir tem a ver com felicidade. O que não é o caso. De onde diabos esses meninos tiram tanta alegria?
Uma menina-velha já chega rindo, como se tivesse lendo o que ando escrevendo aqui estas semanas. Pergunto de sua alegria e ela me diz que é a de voltar às aulas. "Voltar a estudar". Fico admirado por ainda ter esse tipo de gente hoje em dia. Eu mesmo nunca gostei de estudar e, segundo minha mãe, isso me faria poeta! Para ela, poeta era sinônimo de vagabundo. Quem gosta de estudar pode se tornar jornalista, advogado, comerciante de armas, executivo da Tim... enfim.
Prefiro as dançarinas, os que gostam de azeite e orégano e os que ouvem violinos. Só posso encontrar as raízes de tanta alegria em algum fundo de vitalidade que ainda não entendo.
O melhor da vida é mesmo o que ainda não entendemos. Mas que vamos buscar.
Sem azeite e orégano é que não dá!
Escrito por Gustavo de Castro às 18h06
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NOVAMENTE A INOCÊNCIA
O divertimento do puro é o de descascar a banana dia-a-dia.
Nada mais resta a ele senão aplacar a sede que sente de água limpa. Quem muito pensa no puro é porque é impuro. Deus me livre então de não melar minha água - vez em quando - de barro, de pedra, de cal, de terra...
Pureza só tem sentido se houver o que limpar. O divertimento do puro é o de descascar a banana-de-si dia-a-dia.
Cavuca que cavuca como minhoca a si mesmo na Terra.
Pureza só tem sentido se houver o que limpar. De tanto descascar-se o puro tende naturalmente a desaparecer. Virar poeira. Pureza.
Melhor mesmo então é ter cascas por todos os lados: tatuadas, cicatrizadas, adornadas de anéis, brocas e batons.
Melhor mesmo é dependurar bolas e estrelas como se fôssemos uma árvore de natal. Para abrigar sob si presentes
sonhos, pastores, videntes.
Melhor então ter cascas muitas cascas. Uma dentro da outra. Muitas.
Como um imenso Cebolão.
Escrito por Gustavo de Castro às 16h52
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