CINEMA E POESIA
Acabo de chegar de Salvador (BA) onde fui encontrar amigos queridos e participar do Projeto Lanterninha. Este projeto é uma iniciativa de produtores de cinema baianos, que exibem nas escolas públicas filmes nacionais, convidando sempre um educador e um participante do longa. Coube e mim (no papel de educador) comentar o filme A Máquina, do João Falcão, ao lado do ator Gustavo Falcão. O que me chamou a atenção neste projeto é a abertura cada vez maior para a discussão da poesia no cinema, ou aquilo que se convencionou chamar, a partir de Pasolini, de Cinema de Poesia. A escolha dos baianos por produções nacionais que tratem todas as questões pelo crivo da reflexão, da sensibilidade, da alegoria, da fábula e do documentário foi um acerto. Há muito filme de violência no cinema atual brasileiro, mas uma tendência cresce: a dos filmes que abordam em profundidade o drama humano pelo viés da delicadeza.
Muitos não gostam do tema da delicadeza no cinema, acham que ela é sinônimo de lentidão, chatice ou outras coisas do gênero. De outro modo, acredito sempre que, até quando é dura e inquietante, a poesia não perde a delicadeza. Mas não é fácil acreditar na delicadeza em tempos de fúria e arrogâncias de toda ordem.
É por isso que um simples encontro em escolas públicas motivado pelo cinema, uma palavra sobre poesia dirigida a estudantes, uma conversa a luz de velas sobre amor e amizade, tudo isso, é uma forma sincera de projetar (como no cinema) a delicadeza. Uma forma de manter e estimular a harmonia de dentro da gente.
Escrito por Gustavo de Castro às 13h35
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EROS LACRIMUS FUNDUS
Todas as minhas carnes aplaudem o amor.
Todas as minhas lágrimas também.
GUIMARÃES ROSA:
"O homem é lasca de breu".
A PEDRA É UMA FORMA DE FLOR
As flores duram mais do que as pedras
apenas na poesia.
Em realidade, as pedras murcham mais devagar.
Devagar como os beija-flores de pedras
sugam o néctar da Força. A polpa de Deus.
Escrito por Gustavo de Castro às 15h42
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