NA RODOVIÁRIA DA ALDEIA
Um passante diz ao outro:
- Sou triste mas sou carinhoso!
LANTERNA DOS AFOGADOS
em cada um dos meus esquecimentos
guardo uma lembrança de ti.
o místico o fantástico
o mesmo.
aos pés de uma igreja velha
fumamos centavos de sombras.
vimos a escoliose do fogo.
quando tudo chegou ao fim
guardamos no desesquecimento
o que não tem fim.
Escrito por Gustavo de Castro às 08h01
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BRASÍLIA A MEIA LUZ
Como não tenho mais nada para fazer na vida, fico a olhar o céu como uma criança.
Penso então, no meio da rua, caminhando, vou escrever, vou ali escrever. Entro numa lã (vã) house popular e encontro uma criança, uma mocinha, sentada no computador olhando umas bonecas coloridas na tela. É linda a menina.
O céu tem tido muitos matizes por esses dias com tantos trovãos raios relâmpagos trovoadas, matizes de meninas - algumas enervadas.
Brasília foi castigada de lágrimas, claridades no céu escuro que fechou o tempo como a cara de uma menina, quando tá com raiva do mundo.
O Feiticeiro disse que são coisas de maldição.
Tudo se arrepiou e depois cobriu, descobriu de chuva - e choveu - e raio e sol e vento o tempo todo. Quem entenderá a lógica dos céus deste lugar Brasil?
Menina-raio.
A menina soluçou um vômito sobre a tela e as bonecas. E a tela explodiu mil-anjos brancos em arco-íris ao mesmo tempo...
O Feiticeiro tornou a olhar e apontar para o alto e dizer:
- Vê essa menina, ajuda essa menina, ajuda, também a todos, ajuda, por que viver é mais pesado do que emocionante!
Escrito por Gustavo de Castro às 18h09
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