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O AMIGO

Quem perde um amigo perde uma guerra.

 

SEMIÓTICA DA PAIXÃO

Quando há sinais

pode não haver fogo.

 



Escrito por Gustavo de Castro às 10h48
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AINDA ANTONIO PORCHIA (1885-1968)

O mistério apazigua meus olhos, não os cega.

***

O fundo, visto com fundura, é superfície.

***

Deus deu muito ao homem; mas o homem queria algo do homem.

***

As vezes penso em ganhar altura, mas nunca escalando homens.

***

O que é pago com nossas vidas nunca é caro.

***

O universo não constitui uma ordem total. Falta a adesão do homem.

***

Minha pobreza não é total: falta eu.

***

Um coração grande se enche com muito pouco.

***

Ferir o coração é recriá-lo.

***

A árvore está só, a nuvem está só. Tudo está só quando eu estou só.

***

O homem, quando é somente o que parece ser o homem, quase não é nada.

***

O homem quis ser um deus, mas sem a cruz.

***

As quimeras vêm sós e se vão acompanhadas.

***

Saber morrer custa a vida.

***

Às vezes necessito da luz de um fósforo para iluminar as estrelas.

***

O meu primeiro mundo o achei em meu escasso pão.

***

Toda pessoa anônima é perfeita.

***

Todo joguete tem direito a romper-se.

***

Não provei nenhum vinho superior a meu sangue.

***

Quem não enche seu mundo de fantasmas, fica só.

***

Tudo o que levo atado a mim, se acha solto em qualquer parte.

***

Se eu fosse como uma pedra e não como uma nuvem, meu pensar, que é como o vento, me abandonaria.

***

Meu pai, ao partir, presenteou cinquenta anos à minha infância.

***

Quem faz um paraíso de seu pão, de sua fome faz um inferno.

***

Quando eu morrer, não me verei morrer, pela primeira vez.

***

Quem conserva sua cabeça de criança, conserva sua cabeça.

***

Algumas coisas, para mostrarem a sua inexistência, se fizeram minhas.

***

O meu, quando não pode ser igualmente de outros, não sei porque é meu.

***

Pensar em um homem se parece a salvá-lo.

***

Um pouco de ingenuidade nunca se afasta de mim. E é ela o que me protege.

***

Todos os meus pensamentos são um só. Porque nunca deixei de pensar.

***

Quantos, cansados de mentir, se suicidaram em qualquer verdade.

***

Tenho sido para mim discípulo e mestre. E tenho sido um bom discípulo, mas um mal mestre.

***

Sim, isso é o bem: perdoar o mal. Não há outro bem.

***

O menino e o homem, diferentes em suas dores, são iguais em seus prantos.

***

Seguirei eliminando as palavras  más que coloquei em meu todo, ainda que meu todo fique sem palavras.



Escrito por Gustavo de Castro às 12h35
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A HISTÓRIA DE ROMEU JÚLIO

Duas coisas em Romeu Júlio o incomodavam bastante. O seu nome, fruto de uma leitura materna de Romeu e Julieta, e o fato das flores cairem toda vez que ele passava sob as árvores.

E se fosse Outono era ainda pior. Havia aquela dança, neve de flores a despencar na sua cabeça a cada passo que dava.  

Fosse nos bosques, fosse no Pau D'Arco da praça, seus caminhos traziam outonos. Pétalas.

Romeu Júlio não entendia como aquilo acontecia. Logo ele que adorava as flores! Aos poucos, sua Cidade foi comentando que ele trazia maus presságios. Outonos, diziam. As árvores ficavam defloradas...

Romeu Júlio, a la Romeu e Julieta, vivia aquele drama com a humildade dos fortes. 

Certo dia, decidiu pôr fim a tudo aquilo. Debaixo de uma Quaresmeira rosácea, em lágrimas, disparou um balaço contra o próprio peito.

Morreu de primeira. No seu enterro houve uma chuva de zínias. 



Escrito por Gustavo de Castro às 17h54
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DANÇANDO LOGO CEDINHO

Ainda há pouco vi o bailarino jogando suas pernas contras as nuvens. Depois foi a jovem mãe que vi, na rua, rodando a criança nos braços como carrossel. Olhei em volta: contra-fogos brilhavam em todas as partes: gente triste e gente alegre oscilava à minha vista girando pelo mundo. Um homem passa com o cigarro, tendo a tez cerrada em dúvidas. A jovem segue para a escola como quem vai à matinè. O velho espera. O moço passeia com o cão. O pedreiro pedra. O balconista balbuceia. O açougueiro salga. E o dia vai amanhecendo sem desassossego.

Assim, com o amor na ponta da língua.

 

NIETZSCHE (ASSIM FALAVA ZARATUSTRA  - DOS TRÂNSFUGAS)

- Ah! Como já está triste e cinzento neste prado tudo o que há pouco estava verde e cheio de cor! E quanto mel de esperança daqui levei à minha colméia!
 
Todos estes corações juvenis já se tornaram velhos: e nem sequer são velhos, mas simplesmente fatigados, vulgares, indolentes - é o que explicam chamando-se de piedosos.
 
 
DANÇANDO À TARDINHA COM A FICÇÃO

Não fico fiscalizando a verdade de ninguém. Quem quiser mentir na minha frente pode mentir à vontade!



Escrito por Gustavo de Castro às 17h06
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IMAGEM E EMOÇÃO

O valor divino e emocional de alguém é medido pelo grau de seus sonhos.

Escrito por Gustavo de Castro às 17h44
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AS MÃOS DO CATADOR DE PAPEL

Estou lendo Nietzsche em frente a padaria, na calçada, quando um homem se aproxima. Não o conheço. É um catador de papel e está visivelmente bêbado. "Posso conversar?!", ele pergunta. Olho de banda, me irrito um pouco, viro o rosto, mas sei que ler Nietzsche em público tem dessas coisas, daí relaxo. Não é a primeira vez que leio Nietzsche e algo estranho acontece. Então, relaxo.

O catador de papel estende a mão, noto que ela está sujíssima, mas mesmo assim, aperto. Isso provoca nele um tipo de regojizo qualquer. Ele diz: "Você viu que minha mão estava suja e mesmo assim apertou. Não é todo mundo que faz isso." Pergunto o seu nome, Márcio José Pereira da Silva. Nasceu em Pombal na Paraíba, é casado com Rosa, que também cata papel e que também bebe pinga com ele. Ambos vivem em um barraco na periferia.

Talvez agradecido pelo aperto de mão, sei lá, Márcio diz que vai me dar de presente uma história. Então me conta esta: 

"O menino travesso tomou a rolinha na mão e disse para si mesmo: 'Vou criar um enigma: perguntarei ao meu professor o que faço com esta rolinha. Se ele disser 'solte' eu a mato; se ele disser 'mate' eu a solto. E então foi procurar o professor. Ao chegar na sala de aula, disse: 'professor, o que faço com esta rolinha?', ao que o professor respondeu: 'menino, a justiça está em tuas mãos'".

 

Fiz um silêncio de riso. E Márcio sorriu também sem emitir som. Me olhou com o carinho da partilha. Mesmo assim, depois do silêncio que fizemos após a história (e da minha felicidade de ter desistido de ler Nietzsche por um momento), Márcio ainda pediu um real (R$ 1,00) "para tomar uma catuaba". Dei o real dele, mas havia eu também ganho algo: uma história, que agora compartilho contigo.

Às vezes, parece que tudo está em nossas mãos: o bem e o mal, o amor e o ódio, a felicidade e o seu contrário. Às vezes queremos testar as pessoas ou querer que o outro diga o que devemos fazer. Às vezes, nossa travessura com a vida nos leva à ruas sem saída ou à percepção de que o caminho está em nossas mãos. 

Antes de ir embora com sua carroça de papelão puxada por ele mesmo, Márcio ainda me deu outra coisa de presente, ele disse:

- Veja, veja como o dia está lindo!



Escrito por Gustavo de Castro às 10h05
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