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RAZÃO-POESIA o pensamento poema www.casadasmusas.org.br
 


UM EPITÁFIO PARA DAMIÃO

Uma irmã do Terreiro amanhece triste. Soube que o ex-marido morreu ontem. Chamava Damião Vieira de Souza, 32, desaparecido no Recife após matar um deficiente mental. Fugiu primeiro para Salvador, depois mudou-se para Brasília. Mas, desde que fugiu do Recife, ninguém sabia onde se encontrava. Estava em Brasília, perto desta irmã, que não sabia, e que também fugiu de Pernambuco por conta dele. "Podia topar com ele na rua a qualquer momento". Essa irmã tem dois filhos com Damião, Luã,11, e Marcelo,10. Começou a namorar com ele aos 16 e dali vieram os filhos. Ela amanheceu o dia triste, passando roupa e calada. Pôs feijão para cozinhar. Disse com voz perdida no tempo: "Quando não bebia, ele era um ótimo homem".

Meu deus, quantas vezes já ouvi esta frase na minha vida!?  

Damião morreu de cachaça. Começou aos 12 anos e nunca mais parou. "Bebia uma 51 sozinho". Morreu aos 32. Alguém de Pernambuco está vindo buscá-lo no Hospital de Base.

Ficamos todos calados. Diante da morte, algo próximo e algo longínquo se aproxima de nós como se fosse mão fria.

Morreu novo Damião, fugindo da vida, fugindo da morte... Quem saberá que outras cachaças beberá agora isto que um dia chamamos Vida!?

 

DESCONHECIMENTOS

Conheci um homem no sul de Minas que chamava Cimento. Era cortador de cana. Mas também apanhava café. Lembro de como os seus pensamentos eram blues.  

Conheci em João Pessoa um tartamudo que namorava duas mudas. Ele quis "compartilhar" uma delas comigo. Fiquei curioso de ver como os mudos amam.

Conheci em Teresina um vagalhão de mar que nunca findou: começou lá, foi para o oceano, atravessou o Atlântico, o Pacífico, circundou o corcunda da Terra, depois voltou para Teresina...

Conheci, por fim, no Apocalipse, o Ceifador da minha cabeça: ele amolava que amolava a lâmina enquanto sorria para mim. Da minha parte, eu amolava que amolava a Vida enquanto sorria para ele. 

 

UM GRITO DE AMOR PARA RAINER MARIA RILKE

Novamente, o Anjo me apareceu. E me disse coisas que nem me atrevo repetir. O Anjo não é corcunda; seus olhos importam mais que seus cabelos e o seu feitiço tem o som do sol!

Deste vez não o abracei. Desta vez, vimos as foices girar sobre nossas cabeças: árvores, sombras, sóis. E muitos medos. Vimos o Amor desfalecer de tristeza e abandono.

Sem que lágrima fosse vertida, um rosto foi ao poente e ao nascente foi o outro rosto.

E o Anjo voou e viu tudo se esvair. Sim, o Anjo viu o fim.

Sim, mas o Anjo sabe:

- O fio que nos une é mais forte do que a morte!



Escrito por Gustavo de Castro às 10h40
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COISAS QUE APRENDI SEMANA PASSADA

Do poeta Sheirô:

Uma criança despida de conceitos falou para o pai durante a noite que o sol estava lindo. O pai respondeu que aquilo que ela chamava sol era lua cheia. A criança então retrucou: Então quer dizer que o sol durante a noite se chama lua?

 

Do poeta Manoel de Barros:

1.

Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar.

2.

Hoje eu atingi o reino das imagens, o reino das despalavras. Daqui vem que os poetas podem compreender o mundo sem conceitos. Que os poetas podem refazer o mundo por imagens, por eflúvios, por afeto.

3.

Os patos prolongam o meu olhar... Quando passam levando a tarde para longe eu acompanho...

4.

No quintal a gente gostava de brincar com palavras / mais do que com bicicleta. / Principalmente porque ninguém possuía bicicleta. / A gente brincava de palavras descomparadas. Tipo assim: /O céu tem três letras / O sol tem três letras / O inseto é maior. / O que parecia um despropósito / Para nós não era despropósito. / Porque o inseto tem seis letras e o sol só tem três / Logo o inseto é maior. (Aqui entrava a lógica?) /Meu irmão que era estudado falou quê lógica quê nada / Isso é um sofisma. Agente boiou no sofisma. / Ele disse que sofisma é risco n’água. Entendemos tudo.

 

Do poeta Paulo Alves:

A poesia ajuda a amenizar a dor e a loucura.

 

De Mariane, aluna da UnB:

"Professor, toda vez que o meu cão sorri eu lembro de você".



Escrito por Gustavo de Castro às 16h18
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RENE CHAR (1907-1988)

DE MOMENTO EM MOMENTO

"Por que este caminho e não outro? Aonde leva para nos atrair desta forma? Que árvores e amigos estão vivos atrás do horizonte dessas pedras, no distante milagre do calor? Viemos até aqui porque onde estávamos não era mais possível. Éramos atormentados a ponto de ser escravos. Em nossos dias, o mundo é hostil aos Transparentes. Mais uma vez, foi preciso partir... E este caminho, semelhante a um longo esqueleto, nos conduziu a um país que só tinha o próprio sopro para escalar o futuro. Como mostrar sem trair as coisas simples desenhadas entre o crepúsculo e o céu? Pela virtude da vida obstinada, no giro do Tempo artista, entre a morte e a beleza." 

(O pau de roseira, 1983)

 

OS PRIMEIROS INSTANTES

 "Víamos correr a nossos pés a água crescente. De um só golpe, elidia a montanha, expulsando-se dos flancos maternos. Não era uma torrente que seguia seu destino, mas uma fera inefável de quem nos tornávamos a substância e a palavra. Ela nos mantinha amorosos no arco poderoso de sua imaginação. Mas que interferência nos podia ter coagido? A modicidade diária fugira, o sangue expelido reencontrava seu calor. Adotados pelo aberto, polidos até o invisível, éramos uma vitória que jamais teria fim."

(Furor e Mistério, 1962)

 



Escrito por Gustavo de Castro às 10h24
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