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RAZÃO-POESIA o pensamento poema www.casadasmusas.org.br
 


ROBERTO JUARROZ (1925-1995)

1.

As coisas visíveis são como recordações. As coisas invisíveis são como esquecimentos.

2.

A única salvação de todo andar é não chegar.

3.

Qualquer coisa que se perde, há que buscá-la abaixo, sempre mais abaixo. Se algo por um instante se deteve acima, é só um ajuste acidental e transitório. Todas as ruas levam para baixo, até aquelas das coisas mais altas. Talvez abaixo haja outro acima, já que acima deveria ser o lugar aonde caem todas as coisas.

4.

Ainda que perca meu nome e eu não responda já a seu chamado, voltarei sempre ao lugar onde tu o pronunciavas.

5.

Os sons se corrompem. Haverá também uma corrupção do silêncio?

6.

Os nomes que enchem nossa vida talvez nos consolam de todo o sem nome.

7. 

Uma oração dirigida a uma presença acha nela seu limite. Necessitamos aprender a orar às ausências.

8.

A areia se vai das mãos, a menos que a mão se deixe cobrir pela areia.

9.

O eu é sempre um copo quebrado. Haverá algum copo inteiro capaz de nos conter?

10.

Há palavras que atalham a morte, mas quando as encontramos não sabemos como preservá-las da morte.

11.

Gotas de palavras e gotas de silêncio empaparam os lenços. Devemos agora secá-los, para nos envolver deles.

12.

Versão simples do mundo:

o lugar que encontramos.

 

Versão mais ajustada:

o lugar que deixamos.

 

Versão aperfeiçoada:

o lugar para buscar outro mundo.

 

Versão quase definitiva:

o lugar de uma ausência.

 

E outra ainda:

o lugar que nos prova

que ser não é um lugar.

 

E a última versão:

o mundo é o lugar para aprender

que ser não necessita lugar.

 

 



Escrito por Gustavo de Castro às 13h35
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SANTA CLARA, AVE!

Tenho um irmão que a vida me deu. É o Marcelo Costa, historiador, que conheci em Roma. Noite passada, o Marcelo sonhou com Santa Clara. Ele chegava em uma igreja na Itália, atravessava uma parede alta e dava bem de frente com o corpo da Santa, incorruptível.

Ela abria os olhos e se levantava do leito com um espelho na mão. Logo ela passava a flutuar e subir lentamente no rumo do céu. Neste momento, seu cabelo começava a crescer de novo, dosado que estava pela húmilis pobreza. Enquanto o cabelo da Santa crescia, ela, flutuando, entregava seu espelho para o Marcelo, e dizia:

- Vê a tua face na minha!

Meu amigo então olhava o espelho. Via primeiro a si mesmo, depois não via mais ninguém.

 Depois Clara desiniciou o flutuar, lentamente, tornando ao leito; seu cabelo já encurtava de novo. Deitava nos braços da morte, por fim, o seu sono eterno.

 

Marcelo então despertou paralisado.

Tomado de mistério; sem saber o que sua face tinha de Clara; o que tinha de nada; apavorado pela luz que viu, Marcelo desentortou a palavra: passou o resto do dia mudo, sem olhar espelho, fitando a Lua Cheia lá fora.



Escrito por Gustavo de Castro às 17h30
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TAREFA MÍSTICA

desafio

des fio

cá lado



Escrito por Gustavo de Castro às 08h08
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ANTONIO PORCHIA (1885-1968)

Tanto não sois amado, tanto amas.

Escrito por Gustavo de Castro às 19h00
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VISIBILIDADE QUATRO METROS

Hoje cedo, por volta das 5:30 h, a névoa tomou conta de Brasília. Visibilidade: quatro metros. Novamente, a sensação de sonho com o dia inda escuro, espumado. O frio, o cinza-opaco espesso, liquefeito, sem visão de profundidade. Vários matizes: cinza-gelo mesclado com cinza-lágrima mesclado com cinza-chumbo. O ar-fino, oscilantes cubos de prata envoltos em leve película de vento.

As brumas têm voz feminina. Não falam, sussurram; não pensam, imaginam; não escondem, revelam. Quem já caminhou dentro de nuvem sabe o que é se abrumar nos sopros do céu.

Tudo fica mais real e saudoso.

No fundo, acho que temos saudades do tempo em que o céu fazia amor com as brumas a cada amanhecer. 



Escrito por Gustavo de Castro às 07h52
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BANHO DE CHAMAS

queres te banhar de fogo?

 

pois veste os teus medos

sem a falsa luz da voz

o ar abafado

desentrava teu ímpeto

entrega-te às alturas

 

solta-te

salta-te

saúda-te

pipa

no ar

 

queres te banhar às chamas?

 

pois veste os teus medos:

o que há de mais celeste

o que há de infernal

em ti

 

DEIXAR DE SER HOMEM - EMIL CIORAN IN: NO CUME DO DESESPERO (1933)

Se eu pudesse, adotaria cada dia uma forma diferente de vida animal ou vegetal, seria sucessivamente todas as espécies de flores: rosa, espinho, erva daninha, árvore tropical de ramas retorcidas, alga marinha banhada de ondas, ou vegetação das montanhas a mercê do vento; ou senão o pássaro de canto melodioso ou  jovem ave de grito estridente, ave migratória ou sedentária, animal do bosque ou doméstico. Gostaria de experimentar a vida de todas as variedades de seres com um frenesí selvagem e inconsciente, recorrer a toda esfera da natureza, transformar-me com graça ingênua, sem afetação, como vítima de um processo natural. Como gostaria de aventurar-me nas grutas, nos desertos montanhosos e marinhos, nas colinas e nos planaltos! Só uma evasão cósmica  semelhante, vivida segundo o arabesco das formas vitais e a pintura das plantas, poderia despertar em mim o desejo de voltar a ser homem - isto é, algo diferente de si mesmo - , eu sou, então, a negação de um ser humano. 



Escrito por Gustavo de Castro às 13h51
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NO CUME DO DESESPERO (1933) - EMIL CIORAN (1911-1995)

SOBRE A GRAÇA

"Só a graça produz um desapego que não rompe o vínculo com as forças irracionais da existência, pois ela é um salto inútil, um ímpeto desinteressado no que o encanto ingênuo e o ritmo confuso da vida conservam em sua vitalidade. Toda graça é um vôo, um voluptosidade da elevação".

***

"Os gestos da graça evocam a impressão de um vôo planejado por cima do mundo, ligeiro e imaterial. Sua espontaneidade possui a delicadeza, a naturalidade de um sorriso e a pureza de um sonho primaveril. Acaso a dança não é a expressão mais viva da graça?"

***

"A graça atua sempre como uma fantasia da vida, como um jogo gratuito, como uma expansão que acha seus limites no interior de si mesma. Daí que produza a ilusão agradável da liberdade, do abandono direto e espontâneo, do sonho imaculado deslumbrante da claridade".

***

"A graça conduz a um sentimento harmonioso, a uma realização ingênua, que excluí a sensação de isolamento".

***

"Todo o profundo surge da enfermidade; tudo o que não procede dela não tem mais que um valor estético e formal. Estar enfermo é viver, queiramos ou não, sobre os cumes, os quais, não representam unicamente as alturas, mas também abismos e profundidades".

***

"A graça representa um estado de satisfação para não dizer de felicidade: nela não há abismos nem grandes sofrimentos. Se as mulheres são mais felizes que os homens é porque a graça e a ingenuidade são nelas muitos mais frequentes."

***

"A graça nos conduz ao sentimento das realidades essenciais". 



Escrito por Gustavo de Castro às 14h23
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SAMARONE LIMA - POETA

PRIVILÉGIO DAS AUSÊNCIAS

Gasto os passos da vida
em caminhos que sequer existem.
Sigo ombro a ombro
com meus camaradas que já se foram.
Na coleira, levo meu cão sem nome
que urina nas flores.

Volto na mesma estrada
escrevo meu nome nas paredes de vidro
batizo as fontes, grutas
saudades
com palavras que invento para esquecer.

Vivo assim, neste privilégio das ausências.

Tenho um encontro marcado
a cada instante
com o daqui a pouco.

E uso relógios sem ponteiros.
 
 

DEPOIS QUE TUDO SE PERDE

Depois de tudo que se perde
O coração pulsa
Como a respiração das árvores e do tempo.

É quando as coisas perdidas voltam
Pedindo a canção do reencontro.

Nasceram cabelos brancos nos sentimentos.



Escrito por Gustavo de Castro às 13h52
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