CINCO PSICOLOGIAS
1.
Quem vê cara não vê angústia.
2.
Sou cópia pirata de mim mesmo.
3.
Os pássaros nascem junto com as flores.
4.
Se o homem não sabe o que fazer na mentira em que vive, o que saberá fazer com a verdade?
5.
Se te vicio em minhas flores,
nalguns feitiços,
e te faço vir aqui
e amanhã vir
novamente
é porque sei que sabes o que é o mel,
e o que é o mal-amargamado Amor.
Escrito por Gustavo de Castro às 13h23
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O MENINO QUE ENGOLIU O SOL
Com o fim de mais um semestre letivo (2008.1), os alunos começam a apresentar os seus seminários. A disciplina é Sonho e Imaginação, às tardes de quarta. Os alunos entram, são muitos. Minutos depois chega Leonardo Medeiros para apresentar o seu seminário. Ele fica timidamente sentado sobre a mesa, sozinho, com seu óculos de ares distantes. Ele é aluno do curso de Cinema, um veterano, como dizem. Numa calma monacal, Leonardo começa dizendo algo surpreendente: o seu semestre foi o encontro com o Vazio e o Desespero, assim mesmo, com "V" e "D" maiúsculas. O sentido da razão de viver, estudar, acordar pela manhã e passar todo o dia na faculdade fora questionado pela tristeza e pelo Profundo. Perto de se formar, todos entram em crise. Então, ele disse:
- Comecei a entrar em depressão, mas o que me salvou foi encontrar na poesia, disse ele, sobretudo na poesia de cordel do Nordeste, e na música armorial, na literatura oral, nas cores e no onírico daquela cultura, um sentido para mim. Fui salvo pela poesia do Nordeste!
Daí Leonardo apresentou o desenvolvimento do seu roteiro para curta-metragem, que era o trabalho final da disciplina. O roteiro chama "O Menino que engoliu o Sol". Conta a história de um menino, criado por um poeta sonhador e preguiçoso, no Sertão. O poeta, coitado, só pensava na poesia, vivia iludido de versos e meio-que-esquecido de criar o próprio filho. A criança, por sua vez, sentia muito a ausência do pai e, estranhamente, toda vez que sentia solidão, sentia fome, muita fome, que ele resolvia comendo luz. De todos os tipos: lâmpadas, velas, luminárias, candeeiros, etc. Por fim, de tanta solidão e tristeza, o menino acabou comendo o Sol!... É quando todos entram em desespero!
E tudo no mundo fica sem luz e sem esperança. Todos vivem a perenidade das trevas. No Nordeste, romarias e quermesses e rezas, dia e noite, para que o menino volte a ser novamente amado pelo pai. Todos sabem que só isso poderá provocar nele uma disenteria de emoção, devolvendo assim a luz ao mundo.
No final, é isso o que acontece. O amor - e não a poesia - devolve ao mundo a sua claridade.
para Leonardo, que venceu a tristeza.
Escrito por Gustavo de Castro às 17h20
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BOEMIA DO ESPÍRITO
não é bom
beber poesia
todo dia
o espírito pode ter de luz
disenteria
Escrito por Gustavo de Castro às 15h47
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