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EIXO PENDULAR

Procuras no meu peito o teu coração?

Procuras nos meus lábios a tua boca?

Procuras nos meus olhos a tua lágrima?

Procuras no meu toque o teu sentimento?

Procuras nos meus versos a tua verdade?

Procuras nos meus sonhos a tua utopia?

 

Quando o pêndulo das nossas buscas

oscila entre a aurora e o crepúsculo,

o que não nos afunda

soergue. 



Escrito por Gustavo de Castro às 18h36
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FOTOGRAFIAS DE SÃO PAULO

Engraçado que São Paulo me leva a pensar sempre em pilhas de livros. Igual a pilhas de gente, pilhas de carros e pilhas de prédios. Fui ver os 22 andares da biblioteca Mário de Andrade. Está tudo em reforma: milhões de jornais e revistas, 300 mil livros, além de quadros, mapas e manuscritos. Quase que do lado da biblioteca está o Sebo do Brandão, aqui desde 1983, mas há 50 anos no mercado brasileiro. Brandão possui sebos em Recife (o 1º), em Salvador e aqui. O da capital paulista tem 4 andares, são 280 mil livros, todos eles catalogados.

Fico três horas no andar da poesia, que é o terceiro. Encontro Adélia, Gelman, Cabral, todos, muitos, e sinto várias vezes meu espírito ribombar: "meu deus, como tem poeta aqui neste meu Brasil!" Mereceria até um recensiamento. Recensiamento poético pelo IBGE das letras. Desconfio que, proporcionalmente, o Brasil deve ser o lugar que tem mais poetas e loucos por habitante. Mas isso é só intuição. E minha intuição é falha.

No Sebo do Brandão encontro até Juarroz em francês. Sou recebido por Vera Brandão, pernambucana que só ela. Ficamos falando de livros. Quando pergunto por Celan e por Char os seus olhos brilham. Ela conhece mas não os tem. "Já passaram por aqui", diz, como se tivesse falando de andarilhos. Mas talvez seja isto o que são eles, os poetas, migrantes, transitantes, tuaregues no deserto da palavra. Fico lá, no sebo, olhando os volumes. Cada vez mais gosto desta moça, a meio-global Viviane Mosé. Observei longamente dois de seus livros, mas não comprei nenhum. Comprei Octávio Paz e Rumi, poemas místicos, além de um livro de Marguerite Duras sobre a ontologia do escrever. O livro chama, óbvio, Escrever (Rocco, 1994).

Quando morei em São Paulo costumava passar longas horas diante das prateleiras de livros com a cabeça torta pros lados. Foi o que aconteceu hoje. Terminei o dia com torcicolo. Na Livraria Francesa, o vendedor perguntou logo pelas minhas origens. "Minha esposa é de Mossoró", disse ele, orgulhoso. Lauro me falou que estou com "cara de judeu". É quando na Livraria começa um debate, quase uma mesa redonda, sobre as minhas origens. "Ele é baiano", diz um, "Não, ele é de Brasília". E eu fico só espiando, calado, olhando os olhos tortos do Sartre. O vendedor quer me vender as obras completas do Emil Cioran, por R$ 150,00, pergunto se ele quer me deprimir. Ele ri, concordando. Encomendo Andre Gide e vou embora.

A Livraria Italiana mudou de lugar, agora está na r. Luis Coelho. A Livraria Portuguesa não deu tempo de ir, mas a mexicana ainda está no mesmo lugar, ao lado da PUC/SP. Todas essas informações inúteis servem para dizer que São Paulo, para mim, é isso: uma pilha de livros ao lado de uma pilha de gente ao lado de uma pilha de prédios ao lado de uma pilha de carros. Tudo isso dentro do Labirinto, misto de Gotan City e o Inferno de Dante.

Tenho a impressão que todas as prisões habitam este lugar. Certamente, todas as liberdades também. Poderia ficar descrevendo aqui um rosário de imagens que vi pela cidade, enquanto perambulava pela cidade. Como hoje estou disposto, vou descrever aqui quatro delas:

1. Na av. Paulista, o poeta Samuel Salles escreve seus versos em cartolinas e os cola no chão com fita adesiva. Coloca do lado recipientes para as pessoas depositarem suas moedas. As pessoas passam e lêem e passam. Alguns param e lêem. Converso com o poeta que, como todo poeta, sofreu uma grande dor amorosa, daí este seu estado entre loucura e verdade. Deve ser por isso que muitas de suas 170 frases falam do amor perdido, fracassado. "Eu fui feito para amar / Ela para reclamar". Outro verso seu, diz: "Se eu pudesse reinventar o amor, ele seria incontrolável como o ímpeto de um tufão, capaz de varrer os mares, seria absoluto como o talento de Mozart e seria grande como todas as galáxias reunidas". O poeta Samuel vive nas ruas. Sua poesia também.

2. A segunda imagem é muito comum por aqui. Como protesto, o Sindicato dos Bancários de São Paulo contratou uma banda de rock para tocar em frente a agência do Banco Real, na Paulista. A música era muito boa. Os pedestres passavam e passavam, alguns paravam e dançavam. Um doido dançava com um funcionário do banco para delírio do cantor. Um cachorro latia, a maioria das pessoas batiam palmas e vibravam, como se estivessem todos curtindo uma festa de garagem.

3. No metrô superlotado,  a velha pede para sentar no local destinado aos idosos. Um jovem está lá, impávido. Ao lado, o seu pai fica indignado com o pedido da velha. Reclama: "pois que a senhora fique de pé!". A velha rebate. O jovem reage e levanta, mostrando mais educação do que seu pai. Todos olham. Ninguém diz nada. A velha senta e põe-se a ler. Ambos (velha e pai) ficam de boca torta.

4. Almoço no centro antigo, perto do Theatro Municipal. Lá, naquela esquina, policiais conversam sobre futebol. Ao lado, duas garotas de programa comem um sanduiche com guaraná. Uma delas diz: "Estou cansada!". A outra fuma, calada, dá um trago e nada diz. Ao meu lado, um velho almoça, olha apenas para o seu prato de comida. Ele come rápido. Seus olhos não permitem que o homem veja nada além daquele feijão e daquela salada. Sua cabeça está baixa, quase entra no prato. A vida segue, para todos os lados em São Paulo, a vida segue.

O dia está quente, muito quente, e meu yakisoba está ótimo!    



Escrito por Gustavo de Castro às 10h17
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AINDA COM CLARICE EM SÃO PAULO

1.

Presto atenção nos novos loucos de São Paulo. Um velhinho calmo, de paletó e gravata, de gorro e uma sacola da Livraria Cultura, está agora parado entre a rua Augusta e a av. Paulista. Ele é idoso e tem olhos de Buda. Outro, no Viaduto Santa Efigênia, ontem, fazia discursos inflamados contra o Palmeiras e o Corinthians.

2.

Venho conhecer a nova Liv. Cultura, do conjunto Nacional. São 200 mil livros em todas as línguas. Há até turistas batendo fotos do lugar. Uma moça sorridente se aproxima, pergunta se eu não posso bater uma foto dela. Digo que sim, mas troco a foto por uma caneta Bic. Ela sorri duplamente e me dá a caneta. Bato a foto da moça com os livros por detrás. Quando olhamos juntos a imagem na câmera, vimos que, por trás da moça, havia a capa de um livro em que aparecia o rosto da Clarice Lispector. A moça gostou. Eu também.

3.

Clarice vem me encontrar aqui. Tomamos um chocolate quente com folhas de laranja, no café da livraria. Conversamos sobre literatura brasileira. Ficamos calados por longos instantes. Uma senhora no canto do café faz tricô. Clarice olha demoradamente, depois fala: "algumas mulheres costuram para fora, eu costuro para dentro".



Escrito por Gustavo de Castro às 13h26
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SAO PAULO COM CLARICE

Escrevo em um computador que nao tem sinais como os outros, assim minha escrita fica sem signos e gracejos. Estou em Sao Paulo a trabalho. Venho ler na USP, rever o campus, caminhar. Na parede da faculdade de Filosofia, Letras e Ciencias Humanas, um poeta anonimo escreveu:

Apenas estou aqui

estou aqui

e a noite cai.

                   Obrigado Leminski.

Depois, ao lado, a mesma letra: "Toda materia eh mentira". E, em seguida: "Poesia pichada, a flor da rua".

Noto que na faculdade ha uma tendencia a estudar Sarte e Levinas. Quem gosta de boas colecoes de literatura francesa, a biblioteca desta faculdade eh um primor. Para mim, ela eh especial porque foi aqui que encontrei pela primeira vez as obras completas de Roberto Juarroz. Foi aqui tambem que revi meus estudos criticos sobre Italo Calvino, pela primeira vez. Mas vou parar com esta chatice de ficar lembrando coisas do passado, minha relacao, imagine, sentimental, com uma bilbioteca, que ninguem merece isto. De qualquer modo, as bibliotecas nao deixam de ser um bom tema para a pesquisa literaria nos dias de hoje, na qual tudo eh tao efemero e banal. O amor pelos livros das bibliotecas eh de outra natureza: tem qualquer coisa de sobrenatural nestes lugares.  

Gosto de ficar zanzando por dentro das grande bibliotecas, cheirando pagina, soprando poeira, parando diante das prateleiras, ficando esquecido em um longo corredor de livros e silencio. Gosto de ficar vendo as edicoes esquecidas, surradas, nunca retiradas para leitura, os classicos, as edicoes importadas, as colecoes. Bibliotecas nao sao soh templos e labirintos: sao registros de epopeia do sonho humano pela palavra e o pensamento. Criar um espaco de livros para os outros eh uma acao angelical superior: talvez da ordem dos Prometeus.

Melhor para de escrever bobagens.

Melhor uma frase da Clarice Lispector, que encontrei por aqui, passando com um livro na mao, sozinha. Seguia rumo ao curso do Alfredo Bosi, desta tarde. Ela tinha um vestido verde, rodado, e me disse quando passou:

Quando estranho a vida, ai eh que a vida comeca. 



Escrito por Gustavo de Castro às 17h11
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