O orvalho invandiu feito peste a tristeza do burro
As carroças seguem devagar. Deve ser a chuva. Fico observando a expressão do burro a frente da carroça: é igual à sua cabeça baixa: crava patas no chão resignado. Cala. Chove não-chove, cinza prata em tudo, o burro segue a estrada cercado de mosquitos. Segue paciente. Aspira. A lama tomou conta; o frio tomou conta; clareando tudo de umidade. Os alfaces viram restos de chuvas. A boca da mata está salivando. As flores cantam igual passarinhos. Os barrancos ameaçam bolar. Enquanto o burro segue o seu caminho.
O orvalho invandiu feito peste a tristeza do burro.
Segue que segue burrinho teu caminho devagar.
Escrito por Gustavo de Castro às 19h47
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DENOVO ENTREBRUMAS
Sem que fosse planejado: de novo no anfiteatro entre brumas. Anfiteatro de pedra-cimento calcado no centro do nada. Este centro do mundo. No centro do nada, a bruma. E de tanto ficar sentado manhã cedo entre brumas, sentir apenas a sensação de ser nada.
Ah... Como é bom fazer parte do nada!
Escrito por Gustavo de Castro às 08h22
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