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Fragmentos de Malassombro


Piranji, dizem os últimos videntes, fora construída de força descomunal desde o início. Nesta região ficava a aldeia dos Potiguaras, última nação indígena a se render aos colonizadores portugueses, dizem, índios invocados e orgulhosos, canibais, que adoravam gargalhadas e ritos de magia negra. Abaixo de Piranji, no vale do Pium, os primeiros holandeses e franceses relatam que as índias, muito belas e sorridentes, usavam colares e brincos feitos do pênis masculino. Era usado feito trófeu de vitória. Desconfiados, franceses e holandeses não quiseram se deitar com as índias.


Piranji, justamente onde vemos a praça central em direção ao grande cajueiro, ficava o cemitério indígena. No cajueiro, dito o maior do mundo (mas até onde eu sei não tem cajueiro no mundo inteiro), vive um gênio, dito pelos videntes "Gênio do Mar", que se alimenta de tudo o que é grande-e-forte: por isso tudo aqui é ainda hoje descomunal: o cajueiro, a cabeça do povo, a cocada e o carnaval.

Aqui, em Piranji, lugar de malassombros, foi onde vi pela primeia vez um fantasma. Vou contar como isto aconteceu.



Escrito por Gustavo de Castro às 21h27
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Um dia em alto mar

Fui conhecer o mar aberto. O homem na porteira da praia avisou, de prancheta na mão: "muitos já morreram nadando neste mar. É mar aberto."Fui então reconhecer o mar aberto. Entrei devagar na praia da Costeira atraído pelas águas quentes. Levei, claro, um salva-vidas p.q. não sou Aquaman. Pelos meus cálculos, nadei hora e meia; ora boiando, ora arfando feito foca, ora braçando em braçadas, sem pressa, o mar aberto. Cresci a volta deste mar. Sinto saudades dele. Quando se cresce assim, orbita-se o mar como ilha. Na verdade, este mar faz a gente se sentir ilha.

Nadando, nadando, vejo que não aguento mais nada. Antigamente, por esta época, passava o dia todo dentro do mar: fosse em jangadas, barquinhos, bóias, 'isopos' flutuantes, câmaras de ar, pranchas de surf, tudo valia para ter uma vida ali nas franjas do mar. Por aqui o nome disso é "afoito".

Havia também a vida na praia, fosse jogando bola ou procurando mariscos, pescando, fazendo fogueira, procurando na areia relógios, pulseiras, óculos, chaves, anéis perdidos. Nesta arqueologia para Iemanjá, certa vez, levei um tapa de uma onda e fui voar lá longe. Outra vez, na praia, quando pequeno, fui atingido por um soco de vento e cai no chão. Lembro disso perfeitamente. Como se fosse hoje. Talvez este soco fosse um anúncio do que eu viria a fazer depois. O que é a poesia para mim senão sopros que me derrubam?

Zila Mamede foi uma poeta daqui que morreu afogada, enquanto nadava neste mesmo mar. Não há como não lembrar dela enquanto eu mesmo bóio nas ondas do verde aberto. A diferença de nadar na praia e em mar aberto é que aqui as correntezas contam muito mais. Ficar nadando ao léu, neste deserto de água é como voltar à barriga da mãe. É adejar funduras.

Quando voltei a praia estava exausto. Fiquei dali espiando o horizonte e a linha bem retinha que traz, pelo menos a mim, o infinito.

 

 

CAVALO

 Anda na duna

e nos olhos

devagar.

 

Areia fofa

afunda passos.



Escrito por Gustavo de Castro às 15h43
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Visão de sonho

Fui caminhar na cordilheira de dunas móveis do litoral norte, aquelas que margeiam as praias de Santa Rita e Genipabu, aqui no Rio Grande do Norte, e eis que do nada surgem dois cavalos livres a trotar nos platôs das areias desérticas, preenchendo minha visão de sonho e de calor. Confesso: realidades assim só tinha visto na imaginação. Fiquei espiando a cena como quem agradece um encontro. Tinha esquecido como as dunas forçam os pés a caminhar devagar, atolando-os o tempo todo. Mas aqueles cavalos não. Suas patas não se detinham na areia, ao contrário, pareciam flutuar sobre brumas. E, leves, seguiam em direção ao azul. 

 



Escrito por Gustavo de Castro às 00h56
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